Cerca de 1.100 índios ocupam as quatro reservas das regiões do Norte Novo e Norte Pioneiro do Paraná, segundo informação da Fundação Nacional do Índio (Funai). No município de São Jerônimo da Serra estão as reservas de Barão de Antonina, com 330 índios, e São Jerônimo, com 450. Na cidade de Santa Amélia está instalada a reserva de Laranjinha, com 250 índios e, em Tomazina, a reserva de Pinhalzinho, com 130 índios.
No último dia 14 foi lançado, em todo o País, a Campanha da Fraternidade 2002, com o tema ‘‘Fraternidade e povos indígenas, por uma terra sem males’’. O objetivo é acabar com os preconceitos contra os índios e valorizar, ao mesmo tempo, sua cultura, extinguindo, desta forma, todos os fatores que possam colocar o índio em situação inferior.
Segundo a assistente social da Funai de Londrina, Evelise Viveiros Machado, o levantamento das questões relacionadas ao índio faz com que as pessoas sintam-se mais sensíveis em relação aos problemas da comunidade indígena. ‘‘O preconceito surge por falta de conhecimento e a campanha vai colaborar para o verdadeiro conhecimento desse povo’’, afirmou.
Ela alertou que a melhor forma para se ajudar a comunidade indígena é dirigindo-se aos postos localizados nas reservas. Conforme a assistente social, a Funai se preocupa com a fiscalização das terras indígenas, com o respeito e a educação desses povos é com a fixação do índio em sua reserva, por isso é importante que toda a infra-estrutura que receba venha por meio da reserva.
O cacique da reserva de São Jerônimo, Nelson Vargas, 44 anos, acredita que o preconceito contra os povos indígenas cresceu nos últimos anos. Segundo ele, o índio tem dificuldades em se integrar na sociedade. ‘‘Apesar do índio já ser bem evoluído, quando alguém o vê, por exemplo, dirigindo um veículo caro, acha estranho’’, comentou.
O principal meio de sobrevivência do índio é o artesanato. A alimentação ocorre por meio da agricultura de subsistência. Os índios plantam arroz, feijão e criam animais. As reservas possuem, atualmente, escolas com profissionais qualificados. Segundo Nelson, os índios não podem mais viver como os seus antepassados. ‘‘Hoje nós temos que trabalhar para sobreviver. Não existe mais apoio das instituições financeiras ou apoio governamental para o índio’’, reclamou.

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