Jacarezinho - De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, vivem no Paraná mais de 32 mil pessoas com aids. No ano de 2013, foram registrados no Estado 1.452 novos casos da doença. A FOLHA publicou no dia 7 de setembro uma reportagem com o perfil da doença no território paranaense. O que chama atenção nas estatísticas é o número de casos identificados nas Regionais de Saúde do Norte Pioneiro.
A 18ª Regional de Saúde, sediada em Cornélio Procópio, atende 21 municípios e uma população de 230.949 habitantes. Nesta área de abrangência, 375 pessoas vivem com aids. No ano passado foram registrados na Regional 16 novos casos da doença.
Já a 19ª Regional de Saúde, situada em Jacarezinho e responsável por uma população de 288.487 habitantes distribuídos em 22 municípios, há 761 pessoas vivendo com aids. No ano de 2013 foram registrados 34 novos casos da doença nesta área.
A enfermeira e coordenadora do Programa Regional de combate às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e Aids na 18ª Regional de Saúde, Arlete Marcolino, afirma que o trabalho de combate à doença desenvolvido nas cidades faz parte dos programas já estabelecidos pela Secretaria Estadual de Saúde. "Fazemos palestras nas escolas e a campanha anual do Ministério da Saúde para detectar novos casos de pacientes com HIV no mês de dezembro", comenta. A mesma informação foi repassada pela enfermeira e coordenadora do programa de DST Aids da 19ª Regional de Saúde, Célia Ivanaga.
Conforme o professor da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e membro do grupo de estudos sobre corporalidade e promoção da saúde da Universidade Federal de São Paulo, Luis Fabiano Zanatta, a diferença grande entre as duas regionais pode ter uma relação com a proximidade dos municípios da 19ª Regional com o Estado de São Paulo. "Os municípios de Cambará, Ribeirão Claro, Carlópolis, Salto do Itararé, Santana do Itararé e São José da Boa Vista ficam na fronteira e São Paulo possui um índices altos de pessoas com DST e aids quando comparado com outros Estados. Neste ponto questionamos quantos destes casos atendidos na Regional são importados", levanta.
O pesquisador ainda destaca que para analisar estes números é preciso levar em conta a interferência de vários outros fatores. "Os índices de pobreza e analfabetismo podem alterar o resultado, alguns indicadores sociais seriam fundamentais para fazermos uma análise mais completa desta questão", complementa. Zanatta acrescenta que o estudo da faixa etária, a via de contaminação e a escolarização das pessoas doentes poderia ajudar a identificar as causas dos altos números registrados pela 19ª Regional. "Os números brutos nos chamam atenção, mas não podemos afirmar que as pessoas que estão convivendo com a doença foram notificadas nesta Regional. Além disso, faltam dados para fazermos uma análise completa", salienta.
O professor afirma que vai propor um projeto de pesquisa na universidade para levantar os números e estudar pontos necessários para uma melhor avaliação da situação da aids nos municípios do Norte Pioneiro.
Entre outros itens relevantes, a questão de gênero também precisa ser levada em conta. "A maior faixa etária de contaminação está entre os homens heterossexuais com idade entre 25 e 49 anos", explica. Há ainda uma tendência de feminização da aids, já que a mulher vem ascendendo nos indicadores. No ano de 2013, a cada 100 mil habitantes havia 1.193 homens infectados para 614 mulheres com a doença, mas conforme Zanatta, o número vem crescendo exponencialmente.

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