Região tem potencial para ser polo 'agrobiotécnico'
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
O Norte Pioneiro tem potencial para se desenvolver do ponto de vista econômico, mas isto não vai acontecer por acaso, ou seja, o desenvolvimento precisa ser ''induzido''. A conclusão é do economista Fernando Antonio Sorgi, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). Para o professor, a indução passa necessariamente pela universidade, a quem cabe elaborar projetos em parceria com a iniciativa privada, a sociedade civil e órgãos governamentais. Sorgi aponta que a região tem possibilidade de se transformar em um polo ''agrobiotécnico'', aproveitando o potencial agrícola já existente.
O PIB do Norte Pioneiro em 2008 foi de R$ 5,7 bilhões, o que corresponde a 3,2% do total do Estado. As últimas informações disponíveis são de 2008 porque os números de 2009 ainda estão em fase de fechamento.
O PIB do Norte Pioneiro apresenta uma defasagem em relação ao número de habitantes da região, que corresponde a 5,5% do total do Estado e com quantidade de municípios em torno de 12% do total paranaense. Só para comparar, a Região Metropolitana de Curitiba é a que mais evolui em termos de riquezas - tem 31% do PIB do Paraná e uma população que chega a um terço do total.
A Uenp acredita que um projeto de desenvolvimento é necessário e está disposta a participar da iniciativa em parceria com o setor empresarial e os órgãos de governo. Sorgi explica que a região precisa ter um objetivo claro do que deseja em termos de desenvolvimento para reverter um processo crônico de estagnação. Ele avalia que, com a indução, seria possível transformar o Norte Pioneiro em um polo ''agrobiotécnico''. ''Devemos incentivar a criação de empresas de agrotecnologia para a produção de equipamentos de precisão para a agricultura e de biotecnologia que seriam utilizados nas áreas biomédicas, algo que está despontando no mercado'', explica.
Foco
Sorgi argumenta que o foco é necessário para ''a região não sair atirando para todo lado''. Ele cita o exemplo de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, que se transformou em um polo de eletrônica com faturamento de R$ 1,5 bilhão, o que pode ser considerado alto para uma cidade com apenas 40 mil habitantes.
Para o professor, o ideal seria que o desenvolvimento da região acontecesse de forma igualitária, sem privilégios para uma ou outra cidade, mesmo reconhecendo a existência de cidades consideradas polos de microrregiões. ''A ideia é que a gente não enriqueça um município mais desenvolvido em detrimento dos outros menores; a nossa intenção é que o desenvolvimento possa acontecer de uma forma mais uniforme na região como um todo'', justifica.
O professor afirma também que para que o desenvolvimento almejado da região se torne realidade é preciso que haja uma melhor distribuição de renda. Hoje a riqueza está concentrada nas mãos de alguns setores produtivos.
Na opinião do economista, o desenvolvimento da região não pode depender apenas da produção agropecuária, mas agregar valor ao que produz. ''Temos de aproveitar a terra fértil e transformá-la em empresas agropecuárias que transformem seus produtos'', afirma.
O professor cita que, comparando os mesmos investimentos, a indústria gera bem mais empregos que a atividade primária.
Expansão
Outro aspecto considerado relevante para a economia do Norte Pioneiro é o fato de que alguns empreendimentos da região enviam seus produtos para vários estados do País. A região distribui desde bananas e laranjas in natura, alimentos industrializados e até uma variedade de máquinas e equipamentos.
Para Sorgi, a presença dos produtos da região em outros pontos do País é mais importante, por exemplo, do que a instalação de uma filial de uma grande rede de lojas numa das pequenas cidades. ''Fico muito triste quando uma cidade faz festa para inaugurar a loja de uma rede que vai gerar 50 empregos, mas vai mandar seu dinheiro para outro Estado; mas fico feliz quando vejo uma empresa que nasceu e está vendendo seu produto lá fora porque isto gera empregos e divisas para a região''.



