''Resultado de uma reforma agrária no sertão'', da venda de centenas de lotes de 5 e 10 alqueires, o primeiro em 1957, na antiga Fazenda Inhô-ó, definiu Antônio Perusso Veiga (em memória), idealizador de Terra Nova. ''Inhô-ó'', presumivelmente corruptela de uma expressão em português difundida pelos caingangues, está na origem da fazenda, de 15.280 alqueires, titulada em 1886 a Antônio Duarte de Camargo, que a deixou para a irmã Gertrudes, casada com Luiz Pinheiro de Mello. Entre os sucessores na propriedade figuram o inglês Eduardo Kulei e mais tarde, na década de 40, Marins Alves de Camargo, Feres Mehry e Miguel Queiroz, sendo administrador Manoel Veiga, pai de Antônio (''Antoninho'').
Antoninho Veiga (em memória) foi titular do cartório no distrito, vereador e vice-prefeito de São Jerônimo. Com ele, são relacionados ao empreendimento Benedito Garcia da Costa, que também instalou a primeira serraria, Chafic Fuad Jaurich, Pedro Boturim e João Carmino Giraldes. Este, responsável pelas vendas em Londrina, que levaram a Terra Nova, entre outros pioneiros, Luiz Magro, Francisco Scerbo e Manoel Cardoso, que saíram do Patrimônio Regina.
Segundo Chafic Fuad, ainda residindo em São Jerônimo e com 81 anos, foram loteados cinco mil alqueires pertencentes a Gilberto Queiroz, de quem Antoninho Veiga era parente. Chafic, que é libanês, havia chegado de Jacarezinho, onde tinha loja, e foi convidado por ''um patrício'' para vender as datas no patrimônio, ''418 lotes'' urbanos. Experiente em colonização, o ''patrício'' chamava-se Nasser e morava em Londrina; a planta do patrimônio registrada na Prefeitura tem o nome dele.
Na década de 70, havia em Terra Nova sete máquinas de beneficiar produtos agrícolas, hotel e restaurante, comércio diversificado e rede elétrica da Copel recém-instalada. E vieram os planos oficiais de renovação e erradicação de cafezais e a geada arrasadora em 1975. Conforme o depoimento de Antoninho Veiga (1999), saíram de Terra Nova 700 famílias, talvez a metade da população, que caiu para a 3.500 habitantes. Em 1999, ele previa uma ressurreição, assim que a Copel iniciasse a construção da hidrelétrica no rio Tibagi e o café voltasse com o plantio adensado, garantia de renda até nas pequenas propriedades. (W.S.)

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