Cornélio Procópio – A Associação de Recicladores de Cornélio Procópio (Arecop) está tentando negociar com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) o repasse de R$ 7 mil para o pagamento dos 15 trabalhadores vinculados a entidade. Uma reunião marcada para tarde de ontem, na sede da Companhia, iria discutir essa possibilidade.
A presidente da Arecop, Ester Batista da Silva, diz que na última sexta-feira obteve reforço de receita de R$ 3 mil da Sanepar e conseguiu pagar parcialmente os associados. Conforme noticiado na última edição do Norte Pioneiro da FOLHA, a associação estava com dificuldades financeiras para efetuar o pagamento dos salários de dezembro.
Segundo ela, cada um recebeu entre R$ 400 e R$ 600. A variação dos valores corresponde a produtividade e assiduidade de cada funcionário. "Nossa vontade era ter pago ao menos um salário-mínimo para cada, porém não foi possível. A Sanepar fez o repasse de R$ 3 mil na sexta e fechamos nesses valores", esclarece.
Em reunião com membros da Sanepar, Ester pretende conseguir um pouco mais que o dobro do último repasse para efetuar o pagamento de mais uma parcela aos trabalhadores, durante o mês de dezembro. "Precisamos de mais R$ 7 mil; vamos conversar e ver o que eles conseguem fazer pela gente".
O gerente da unidade de Resíduos Sólidos da Sanepar, Domingos Budel, garante que é da vontade da companhia ajudar a associação. No entanto, ele destaca que a entidade não pode criar um vínculo de dependência, mas ser autossustentável. "Tentamos capacitar os trabalhadores para que eles possam negociar o material recolhido. A função da Sanepar é recolher o material e repassar a associação", explica.
De acordo com ele, catadores não associados têm atravessado a coleta seletiva por saber antecipadamente o cronograma do caminhão. O gerente pondera que a Sanepar "não tem poder de polícia e cabe a Prefeitura disciplinar os catadores irregulares".
O assessor jurídico do Município, Jamison Donizete da Silva, informa que a Prefeitura desconhece a existência de atravessadores, uma vez que todos os catadores são membros da Arecop. Ele acrescenta ainda que não recebeu resposta da ação movida contra a Sanepar para discutir o cancelamento do contrato. "Ainda aguardamos, mas é certo que a Prefeitura está preparada, e caso o contrato seja cancelado temos total condição de iniciar uma licitação e contratar uma nova empresa para o serviço", analisa.
Budel aponta que a Sanepar está disposta a conversar sobre os direcionamentos da coleta seletiva na cidade, mas antes, precisa ser notificada oficialmente. "Se existir a solicitação para conversar sobre as questões contratuais, estamos prontos para isso".

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