AUSÊNCIA

‘‘Sem o animal de raça, não existe exposição’’. Este verso de uma canção gravada por Daniel, retrata fielmente a importância da pecuária em qualquer exposição feira. Ela é o carro chefe. É o que dá status. Projeta a mostra nacional e internacionalmente. É responsável pelo maior faturamento; que é obtido através dos leilões, venda direta, aluguel de mangueiras, baias, argolas, espaços comerciais para empresas do segmento, etc... É um dos setores mais visitados e, dependendo da quantidade, diversificação de raças e, principalmente, da qualidade dos animais expostos, é o mais elogiado ou criticado. O clima nos julgamentos é de suspense. Que animal será o grande campeão? Háááá... mais aquele é mais bonito! E vai por aí afora. Um grande espetáculo.
Se a pecuária é o carro-chefe de uma exposição, a raça nelore é sua locomotiva; já que a base da pecuária brasileira esta alicerçada sobre esta extraordinária raça, que dispensa maiores comentários, já que todos sabemos de suas virtudes. Mas uma exposição, nem mesmo a meca do nelore, que é Uberaba-MG, se faz com uma única raça. Até porque o Brasil tem a maior diversificação de raças do mundo.
Tracei o paralelo acima para chegar à EFAPI de Santo Antonio da Platina, que vai ser realizada de 21 à 31 de março. É a mais tradicional mostra da agropecuária regional. É a quarta em importância a nível estadual- já foi a segunda. Conseguiu por anos seguidos um feito fantastático, figurar entre as dez maiores exposições da raça nelore do Brasil, em número de animais na pista de julgamento. Ganhou fama e ajudou a melhorar geneticamente o rebanho do Norte Pioneiro e, consequentemente, do Paraná. Estas conquistas foram conseguidas graças ao empenho de muitos nomes importantes, que deixaram de lado seus afazeres particulares e se dedicaram de corpo e alma à EFAPI, que se tornou, com o passar dos anos, em ponto de referência, e que é, sem dúvidas, o maior orgulho da gente platinense e, porque não dizer, da região. Região, segundo a Secretária da Agricultura do Paraná, que concentra o maior rebanho de vacas e novilhas parideiras do Estado. Portanto de grande potencial para a comercialização de reprodutores.
É por estas e outras que não consigo entender, e muito menos aceitar, a ausência do Núcleo dos Criadores de Nelore do Norte do Paraná na EFAPI, que este ano completa 30 anos. Não entro no mérito da questão; aliás não há nenhum mérito ao se ausentar, e muito menos discuto o motivo para tal. Não sei se é por vaidade pessoal ou politica! O que sei é que EFAPI e a raça nelore estão acima de qualquer motivo, por mais forte que seja. É preciso lembrar que os nomes atuais, do prefeito ao coordenador da EFAPI, da presidente do núcleo - àqueles que ocupam cargo a nível federal, são passageiros; enquanto que a EFAPI e a raça nelore, não.
No meu entender o Núcleo perdeu uma grande oportunidade de dar um tapa de luva. Se ele quer, assim como outros núcleos querem- me incluo neste contexto- mudanças no setor de pecuária da EFAPI, tinha que participar. Mostrar força e fazer, como já fez, uma grande exposição da raça. Presente protestaria através de faixas nos pavilhões com dizeres: o Núcleo está aqui, sob protesto.
Redigiria, como tem nome capaz para isso, um manifesto de repúdio explicando aos 100 ou 150 mil visitantes que o atual sistema não cabe mais. Que tem que ser revisto e mudado, urgentemente, para o bem das próximas EFAPIS. Uma saída mais honrosa e inteligente. Ao mesmo tempo em quer não criaria tanta antipatia, como criou. Até porque o Núcleo tem sede em Santo Antonio da Platina, que sedia a mais tradicional mostra da pecuária regional. Ë no Norte Pioneiro que ele tem que atuar, vender o que seus associados produzem. Insisto: segundo a Secretária da Agricultura o Norte Pioneiro detêm o maior número de vacas e novilhas parideiras do Estado. E este mercado está sendo desprezado pelo Núcleo.
Bem, o Núcleo do nelore não vai estar presente, mas alguns criadores, neloristas convictos e sabedores da importância da EFAPI, trarão animais para a exposição. É bem verdade que não em número suficiente para preencher os pavilhões destinados ao nelore. Mas a raça vai estar representada. O que, de certa forma, serve de consolo à memória dos saudosos e queridos Dr. Alcides Prudente Pavan e José Medeiros de Mello, verdadeiros baluartes, que ao lado de outros nomes de peso da raça nelore, como os irmãos Jorge e Peter Schwaizer, Dr. Mauro Conrado Mesquita, Dr. Jonas Conrado, entre outros, que com muita dedicação e esforço tornaram a raça nelore, a EFAPI e o Norte Pioneiro mais conhecidos. A eles, em nome da gente platinense e da região, nosso muito obrigado.
Arão Dias Neto

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