REBANHO PIONEIRO
A renda da agropecuária brasileira apresentou um saldo positivo no ano passado. Foi um crescimento de apenas 1,52%. Pequeno, é verdade, pelo muito que o setor representa no contexto sócio-econômico da Nação. O resultado poderia ter sido muito melhor. Ocorreu que, ironia ou não, justamente os setores que obtiveram o maior aumento de produtividade, milho, algodão, café que vive uma crise sem precedentes e o leite, juntamente com seus derivados, tiveram um ano muito difícil. Apesar das dificuldades de diversas ordens enfrentadas pelas culturas citadas, o saldo ainda foi positivo, e é isto o que importa. Principalmente se considerarmos que nos últimos três anos o setor, num todo, perdeu renda. Trabalhou no vermelho.
O desempenho positivo pode ser creditado à safra recorde de grãos de 98,1 milhões de toneladas; recuperação de preços médios reais, de produtos importantes, como cana-de-açúcar, laranja e soja, que alavancaram o PIB agropecuário, que atingiu R$ 87,31 bilhões, contra R$ 86 bilhões em 2000; desvalorização do real perante o dólar, fato que impulsionou as exportações agropecuárias, principalmente para os mercados do Leste Europeu, Oriente Médio e Ásia. O incremento das exportações, somente para estas regiões, foi 4% superior ao ano de 2000.
A expectativa para este ano embora o setor agropecuário seja uma grande industria a céu aberto, exposto a intempéries, falta de crédito e ao humor do mercado internacional, principalmente de europeus e americanos tanto do governo como do setor privado, é de um resultado bem melhor. Motivos para tal existem. Entre eles aumento na área de cultivo de 4,5%. Safra de grãos 2,9% maior 100,9 milhões de toneladas. Alguns instrumentos governamentais de suporte à comercialização agrícola. A internacionalização e a consequente consolidação dos produtos made in Brazil e, por fim, a grave crise que atravessa a Argentina. País de alta produtividade agropecuária e um grande exportador de produtos agropecuários. Das frutas aos lácteos; das carnes aos cereais. Mas que está, ao menos atualmente, quebrado. E se está quebrado, não há dinheiro para nada. Se no hay la plata, no hay producion. Se no hay producion, no hay exportacion. E é aí que se abre uma grande possibilidade de aumentarmos nossas exportações agropecuárias. Afinal, com a Argentina em crise ou não, qualquer cidadão do mundo, ao ouvir o estômago roncar de fome, só quer uma coisa: comer. Neste instante o que menos importa é de onde vem o alimento.
30ª Efapi
A Efapi de Santo Antônio da Platina, uma das mais tradicionais exposições feiras do Paraná, já está com sua data definida: de 21 a 31 de março. O coordenador, vice-prefeito Luis Januário, um nome de consenso, está bastante otimista. Algumas novidades serão introduzidas este ano, entre elas a participação de raças que nunca participaram da mostra, como Piemontês, Caracu e Marchigiana. O rodeio será dividido em duas etapas: no primeiro final de semana montaria em cavalos e no último montaria em touros. Peões de renome no cenário nacional serão convidados a participar. Incremento no setor comercial, tornando-o mais abrangente e interessante. Menos bares e restaurantes. Banheiros públicos serão ampliados. Segurança total, tanto nos estacionamentos quanto na área interna do parque de exposições etc. O caminho é este mesmo. Pensar e realizar a exposição num todo.
A área da pecuária, o carro chefe da feira, cujo destaque, sem dúvidas, é a raça nelore, será tratada com o respeito e carinho que merece. E não há como ser diferente. Afinal de contas este setor é o responsável pelo maior faturamento da Efapi, através do aluguel de baias, argolas, mangueiras e, principalmente, leilões, que deverão, a exemplo do ano passado, contar com financiamento do Banco do Brasil.
A grande vontade da comissão organizadora é realizar a melhor exposição dos últimos dez anos. Com a união de todo setor produtivo do Norte Pioneiro e, notadamente, do municipio em torno desta que é a maior mostra agropecuária, comercial e industrial regional, será possível.





