Mercado fabuloso

Uma grande notícia para a pecuária brasileira: dentro de 60 dias o Brasil vai embarcar carnes bovina, suína e de frango para um mercado de potencial fabuloso: China. O mercado do país mais populoso é, também, o mais cobiçado do mundo. Não é prá menos. Afinal, são mais de 1,2 bilhão de chineses, que embora não possam ser considerados bons consumidores de carne bovina, compensam pelo contingente populacional e pela representatividade chinesa junto à região asiática, que concentra 60% da população terrestre.
Para se ter uma idéia, 25% de toda carne bovina comercializada no mundo - seis milhões de toneladas - são consumidas na Ásia. E olha que por lá o consumo per capita é de apenas 5 quilos habitante/ano. Pelo tanto de gente que tem, é muito baixo. Tá certo que as questões culturais têm que ser levadas em consideração. Na Índia, por exemplo - segundo país em população do mundo, com 1 milhão de habitantes - o boi é um animal sagrado; por isso, somente 5% dos indianos, consomem carne bovina. Mas este é um outro assunto.
O importante, no momento, é que estamos ingressando no mercado mais promissor da atualidade. País milenar que preserva seus costumes, a China socialista - ou será ex-socialista? - esta aberta e receptiva aos costumes ocidentais. E o consumo da carne bovina é um costume ocidental.
Saber explorar este fato, com inteligência e criatividade, por meio de uma forte campanha de marketing, deve ser o próximo passo do governo e setor de carnes brasileiros. Sem dúvidas que a conquista deste farto mercado tem que ser comemorada. É, de fato, um ''negócio da China''.
- Aftosa
Há coisas que por mais que tente, não consigo entender. Não sei se é por pura ''burrice'' ou idiotice, mesmo. Talvez alguém, que seja bem ''pacencioso'', possa me fazer entender e, ao mesmo tempo me convencer, que é ''normal'', em plena campanha de vacinação contra a febre aftosa, faltar vacina!
O governo prorrogou até amanhã a segunda etapa de vacinação, como se isso resolvesse o problema. Não resolveu, pois ainda há falta de vacina no mercado. Duplamente indignado - primeiro pelo fato de ter que recolher, obrigatoriamente, a ''bendita'' taxa imposta de R$ 0,25 por cabeça e segundo pela falta de vacina, o que leva a crer que o esforço de cada um está sendo em vão - o produtor questiona: erradicando a febre aftosa não haverá mais cobrança de R$ 0,25 por cabeça e, evidentemente, milhares de doses de vacina deixarão de ser produzidas. Certo? Certo! Então, até onde a erradicação da febre aftosa é interessante para certos setores? Perguntar não ofende.
PS. A taxa de R$ 0,25 por cabeça - quem não pagou na primeira campanha do ano, terá que recolher R$ 0,50 por cabeça - foi criada pelo Conselho Estadual de Sanidade Animal (Conesa) com a anuência da Secretária da Agricultura, da FAEP e outras entidades ligadas ao setor, com o fim específico de indenizações, caso ocorra algum surto da doença no Estado.
No Uruguai, onde pensava-se estar erradicada a aftosa, os pecuaristas recolhem taxas com a mesma finalidade daqui. No primeiro semestre deste ano eles foram surpreendidos pela volta da doença. Milhares de cabeças foram sacrificadas.
O fundo recolhido indenizou as propriedades afetadas. Mas isto foi no Uruguai. Temos diversos motivos e exemplos, seja em qualquer setor, para não acreditar que se o mesmo ocorrer no Brasil - que Deus nos livre da aftosa- a ação não será a mesma. Quem viver, verá.

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