REBANHO PIONEIRO
Os criadores de touros P.O. de todas as raças estão rindo à toa. E não é pra menos. Afinal, a procura por reprodutores aumentou consideravelmente, em relação a outros anos. É natural que com a proximidade da estação de monta haja um interesse maior de criadores de gado comercial por bons touros.
Mas o aquecimento nesse mercado não é de agora; isso vem ocorrendo desde o inicio do ano. Consequência: muitos produtores de touros P.O. sem ter que vender, exatamente na época de uma melhor remuneração.
É claro que quem produz faz planejamento para vender agora. Mas o fato é que muitos foram surpreendidos pela enorme procura ao longo do primeiro semestre. Há muito não se via nas exposições agropecuárias brasileiras tantos e concorridos leilões de touros. Ótimo...! É a produção e a liquidez caminhando juntas.
Mas se por um lado isso é bom, por outro é preocupante. É que por falta de touros P.O., o velho e péssimo costume de se usar boi de boiada como touro, se manterá. Embora essa prática tenha diminuído pouco, é verdade com a inseminação artificial e uma maior produção de touros P.O., ainda temos uma defasagem de milhares de touros melhoradores (estatisticamente, até 31 de dezembro de 2000, o número de touros em nossa pecuária era de 2,25 milhões), o que nos conduz apesar de termos um dos mais respeitáveis bancos genéticos do mundo, entre todas as raças, e por mais paradoxal que possa parecer a um retrocesso genético em nosso rebanho comercial.
- Referência
Poucas regiões brasileiras concentram tantos e bons criatórios de gado puro, como o velho e bom Norte Pioneiro do Paraná. Nessa região de terras férteis, com boa topografia, posição geográfica estratégica às margens da BR-153, que liga o Brasil de Norte a Sul e onde vivem renomados e premiados selecionadores das mais diversas raças, entre elas nelore, simental, charolês, caracu, pardo-suíço, limousin, holandês, piemontês e canchim.
Animais produzidos em nosso chão sempre se destacam e se tornam grandes campeões, nas mais diferentes e pesadas pistas de julgamentos de exposições por este Brasil afora. Tivemos e temos grandes campeões brasileiros nas raças simental (diversas vezes), nelore, holandês, limousin... São milhares de títulos e troféus conquistados, que para expô-los, seria necessário um enorme espaço.
E se somos referência em gado P.O., penso que temos que nos unir e fortalecer o que é nosso. Por exemplo: as exposições de Santo Antônio da Platina e Ibaiti. Incentivar e fomentar a realização de leilões de elite e outros eventos pecuários em toda região, que podem ser a porta de entrada de novos investidores.
Depende apenas de nós. Temos que tirar proveito, saber usar este enorme potencial, com uma visão ampla da região num todo, deixar de lado essa passividade, esse sentimento de inferioridade que, lamentavelmente, nos caracterizam. Quanto já não perdemos sendo assim? Está na hora de despertar. Ninguém vai fazer por nós, a não ser nós mesmos. Não somos menos que ninguém. Pelo contrário!
Reconhecidamente sou muito bairrista. E por ser assim, em algumas regiões e exposições em que vou atuar como leiloeiro, sirvo como alvo de comentários discriminatórios e 'brincadeiras' maldosas. O que me deixa bastante magoado. Por isto, toda vez que um 'crioulo' nosso é premiado além de me encher de alegria e orgulho serve para tornar nossa região e pecuária mais conhecida e valorizada e, ao mesmo tempo, para tirar um 'sarrinho' na cara daqueles que 'pensam' poder tudo.
- Crescem exportações
A União Européia autorizou a importação de carnes de aves frescas de mais de três Estados brasileiros. Aguarda-se, agora, o anúncio de ampliação de importação da carne bovina. O que deve acontecer dentro dos próximos dias. Um primeiro lote de carne bovina será embarcado para a Rússia esse mês, cujo volume ainda não foi confirmado.
Sendo assim, a meta de exportação da carne bovina brasileira nesse ano caso não haja nenhum transtorno de 700 mil toneladas em volume e de US$ 1 bilhão em receita cambial, será alcançada. Ano passado, o volume exportado foi de 553.700 toneladas, que geraram uma receita cambial de US$ 503,8 milhões, segundo dados do Decex/Secex.
Mas se aumenta o volume, cai o preço por tonelada em equivalente carcaça, que foi de US$ 1.271 em julho, abaixo da média do ano passado, que foi US$ 1.361, ficando aquém da média de 1999, que foi de US$ 1.416 a tonelada.
Se o momento é ótimo para os frigoríficos exportadores, não se pode dizer o mesmo em relação aos frigoríficos que atuam somente no mercado interno, cujo consumo é fraco, o que reflete, também, no mercado físico.
De nada adianta aumentar a exportação, se ela ficar à mercê de apenas três ou quatro frigoríficos exportadores, que comandam o mercado ao seu bel prazer ou interesse. O setor de carnes é importantíssimo à economia e balança comercial brasileira, gera milhares de empregos, riquezas e divisas e, por isso mesmo, não pode ser cartelizado.
O governo, via Ministério da Agricultura, está atuando e desempenhando um bom papel na pecuária de modo geral. Resta credenciar mais industrias frigoríficas para a exportação, o que tornará o mercado físico mais competitivo.
- ARÃO DIAS NETO é pecuarista e leiloeiro





