Hoje, sete anos após a implantação do Plano Real, estamos caindo na realidade e vendo que o drástico erro contido pela equipe econômica governamental – a paridade cambial – está penalizando todo o setor produtivo da Nação. Não tínhamos e não temos lastro. A agropecuária é a que mais tem sentido, já que seus insumos são cotados em dólar, tornando, assim, o custo de produção muito alto.
Diante da impossibilidade de repassar este alto custo à sua produção, tenho visto produtores dando seus pulos, fazendo malabarismos, cortando gastos de toda ordem para terem um pouco mais de ganho no intuito de manter seus compromissos em dia para permanecerem na atividade. Apesar da luta titânica, muitos não estão conseguindo. Com isto aumenta a inadimplência nos bancos e comércio, assim como a emissão de cheques sem fundos. E o que é pior: não há perspectiva de uma melhora em nossa economia, no curto ou médio prazo.
Por outro lado, com a idéia fixa de controlar a inflação a qualquer custo, o governo, egoisticamente, não cumpriu – e não cumpre – sua parte, que era e é, de cortes substanciais nas contas públicas, combate ferrenho ao empreguismo, punição exemplar à corrupção e desvio de verbas, ao roubo desenfreado e impune, menos impulsos e, principalmente, investimentos no setor produtivo.
Faltou, e falta ao governo, coragem para agir em favor da Nação e de seu povo. E governo que não tem coragem e que se submete à mesquinharia da política em detrimento ao País, não é, definitivamente, um bom governo.
ICMS
Estive em Curitiba em 18 de junho, na Assembléia Legislativa, juntamente com produtores de Santo Antônio da Platina, Jacarezinho e Ribeirão Claro, para acompanhar a votação da chamada ‘‘Lei Brandão’’. Tão bom quanto a aprovação, por unanimidade, da redução da alíquota de ICMS aos lácteos e carnes, que favorecerá, também, as agroindústrias, foi ver que as galerias estavam tomadas por produtores de todas as regiões do Estado, numa clara e digna demonstração de união e força. Se havia algum deputado indeciso ou contra...
Já a unanimidade na votação, comprova o grau de importância que a atividade tem no contexto sócio-econômico paranaense. Para deleite dos deputados, assim que aprovaram o projeto, foram aplaudidos em pé. Tal atitude demonstra que o homem do campo sabe ser grato. Na verdade, o que ele quer é produzir em paz e ao mesmo tempo ter seus direitos reconhecidos e defendidos, sem demagogia, por aqueles que foram eleitos para tal.
Cabe, agora, ao governador Jaime Lerner, sancionar ou não o projeto. Não acredito que o governador venha a ser contra... Se bem que quem foi capaz de investir pesadamente na indústria automobilística na Região Metropolitana de Curitiba (quintal de sua casa) sem se importar com a agroindustrialização e ao progresso de todas as regiões do Paraná, pode se esperar de tudo.
Maciez da carne
Que a Austrália é a maior exportadora de carne bovina do mundo, com 1,2 milhão de toneladas, movimentando US$ 6 bilhões por ano, quase todos sabem. O que poucos sabem é que órgãos estatais e privados vêm investindo pesadamente na melhoria da qualidade do produto, indo no manejo pré e pós abate, passando pela maciez, mamoreo, coloração da carne e gordura. Por lá, a cadeia carne é levada tão a sério que é comum pecuaristas, frigoríficos, governo, universidades, órgãos de pesquisas desembolsarem milhões e milhões de dólares em busca de um melhor produto.
O País acaba de registrar uma patente internacional da proteína batizada de TG5 (Thylo Globulin 5), relacionada à maciez e marmoreo. E mais: uma segunda proteína, também ligada a estes dois aspectos, foi identificada, mas está sob sigilo, até a obtenção da patente internacional. A descoberta foi possível através do sequenciamento do DNA de 600 touros.
Assim, o comprador de um touro, para saber se ele transmitirá o TG5, poderá fazer o teste de DNA através do pêlo do animal. A herdabilidade é de 45%. Por serem os maiores exportadores do mundo, os australianos estão sempre atentos quanto ao comportamento do consumidor. Daí ao alto investimento e o sequente aprimoramento. Até porque há tendência de queda no consumo da carne bovina e aumento na de frango e peixes.
Semana Ruralista
O CTG Coxilha Platinense realizará, em agosto, dentro do seu tradicional rodeio crioulo, a 1ª Semana Ruralista do Norte Pioneiro. A intenção é promover encontros, cursos, palestras, atividades sócio-culturais, recreação, leilões, etc... Fora três leilões de gado já agendados (dia 17, limousin e simental P.O.; dia 18, canchin P.O. e cruzados; e dia 19, gado de corte), a grande novidade será o leilão de máquinas e implementos agrícolas usados; mas é necessário que estejam em bom estado de conservação e funcionando.
A diretoria está pleiteando junto à agência do Banco do Brasil, de Santo Antônio da Platina, a liberação de verba para financiamento de todos os leilões. E por falar em leilão, neste sábado, dia 30, às 17 horas, no CTG, acontece o leilão ‘‘Arraiá de São Pedro’’, com uma oferta de 600 animais. Informações pelo telefone (43) 534-5301.
E quem está inovando em comercialização de gado de elite é o criador de simental, Rudolf Reich. Ele criou, em parceria com a Banet, um leilão virtual, onde estará ofertando animais de ponta do seu criatório. Durante 50 dias, de 10 de julho a 30 de agosto, os compradores poderão acessar (www.banet.com.br) e fazer seus lances. Quem preferir, pode conhecer os animais na Fazenda 3 Galhos, cujo endereço eletrônico é (www.3galhos.com.br). Ao ‘‘seo’’ Rodolfo, parabéns e sucesso nesta empreitada.

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