Barbaridade! Que explosão foi esta, tchê? Explodiu a bomba. Bomba!... Que bomba?
A bomba relógio que estava nas fronteiras do Uruguai e Argentina com o Rio Grande do Sul. Todos sabiam que a dita cuja estava ali. Era preciso agir com habilidade e agilidade para evitar a explosão, que transformaria nosso sonho em um imenso pesadelo.
Embora o governo federal tenha enviado ao Uruguai um milhão de doses de vacinas contra a febre aftosa, na tentativa de evitar o pior para a nossa pecuária, o governo gaúcho fincou pé e não aceitou a volta da vacinação em seu território, alegando que tal fato poderia comprometer seus contratos de exportação. Uma atitude mesquinha, própria de quem pensa somente em si, não considerando que o risco e, consequentemente, o prejuízo, seria de todo setor de carnes.
Agora que a realidade se apresenta nua e crua, vemos que a pendenga política interna dos gaúchos Olívio Dutra, José Hoffmann e Pratini de Moraes continua, como se isto fosse a coisa mais importante para o Brasil. Não levaram em conta todo esforço que vem sendo feito há anos, no sentido de erradicar a febre aftosa. Como Judas, o governo gaúcho lava as mãos, passando ao governo federal a responsabilidade dos focos. E como Cristo, sofre e perde toda pecuária brasileira.
- Apesar dos focos de aftosa no Rio Grande do Sul continuo achando que a nossa pecuária tem um potencial extraordinário. Temos números fantásticos, que nos privilegiam diante de outros países: 165 milhões de cabeças – o equivalente a 16% do rebanho mundial. Produzimos seis milhões de toneladas – 12% da produção global. Oito por cento do mercado mundial nos pertence, com R$ 1,6 bilhão/ano.
Enquanto que no mundo o consumo per capita de carne bovina é de, em média, um quilo a cada 41 dias, no Brasil se consome um quilo a cada 12 dias. Média maior que a européia, que é de um quilo a cada 18 dias. Porém, estamos distantes dos argentinos que consomem um quilo de carne a cada 5 dias. Temos ou não um grande potencial?
E olha que exploramos apenas um terço de nossas terras agricultáveis. Nós é que não reconhecemos e valorizamos o que temos. Volta e meia criticamos nossa produção agrícola dizendo que 90 ou 95 milhões de toneladas de grãos é muito pouco, quando nos Estados Unidos somente em milho ou soja se produz 220/250 milhões de toneladas. Mas ocorre que nos Estados Unidos não existe mais nenhuma fronteira agrícola. Enquanto que aqui temos muita terra a ser aberta e explorada. Sem falar no enorme potencial hídrico, que causa inveja a muitos países desenvolvidos. Diante desta realidade não há como negar que, quer queiram ou não, somos o celeiro do mundo.
- Campanha após campanha, estamos nos aproximando do objetivo principal: reconhecimento, por parte da OIE (Organização Internacional de Epizootias), de área livre de febre aftosa sem vacinação. Para tal só nos restam mais quatro etapas: novembro deste ano, maio e novembro de 2002 e finalmente maio de 2003. Conseguiremos chegar lá sem nenhum tropeço?
Creio que sim, afinal o pecuarista paranaense demonstrou conscientização e determinação em todas as etapas até aqui realizadas. Tivemos um alto índice de vacinação. Nesta espera-se 100% de cobertura. É assim que vamos ganhar mercados internacionais e, consequentemente, maior valor à nossa mercadoria.
- Com o objetivo de agregar valor e buscar melhoria genética, surgiu a Associação dos Produtores de Leite de Jacarezinho (Aprojac), que conta atualmente com 42 associados. A intenção é, para breve, atingir 55 sócios. Segundo o médico veterinário e coordenador da associação, João Balista Calomeno, o projeto poderá ser estendido a outros municípios da região, que tem uma boa bacia leiteira.
O projeto vem sendo desenvolvido em parceria com a Emater. A idéia é que toda a produção leiteira de Jacarezinho, que é de 8,5 mil litros/dia, seja absorvida na própria cidade. O leite será pasteurizado e caso haja sobra, será transformado em iogurte. É a iniciativa de pessoas ligadas ao setor, preocupadas com a valorização do produto e do ser humano, que pode modificar o perfil da pecuária leiteira do Norte Pioneiro.
Vale lembrar que a partir de 2003 entrará em vigor a lei que proíbe a venda do leite ‘‘in natura’’. Por isso é necessário que todos os municípios passem a se preocupar, desde já, com futuras associações.
‘‘Vaca louca’’
- O bem que o ‘‘mal da vaca louca’’, fez ao nelore, não estava no gibi de ninguém. Prova maior são os recentes leilões da Fazenda Cachoeira, de Londrina e os de Uberaba (MG). Preços recordes. Procura enorme. Hoje, onde tem um leilão de gado nelore se tem a garantia de bons negócios. E não é modismo, não.
Quem poderia imaginar que vacas nelore atingissem valores estupendos? Uma por R$ 490 mil, outra por R$ 700 mil e, por fim, a ‘‘absoluta’’, vendida por míseros R$ 840 mil. Sim, as vacas mais caras do planeta são da raça Nelore.
Somadas, atingiram a ‘‘pequena fortuna’’ de R$ 2.030.000,00. Costumo dizer que não existe uma raça melhor que outra. Se assim fosse teríamos uma única raça em todo mundo. Uma complementa a outra. Mas todas dependem do nelore, seja para fazer a cruza industrial ou para melhorar a bezerrada leiteira.
Por outro lado, entendo que as raças européias contribuíram, e muito, para o avanço genético do nelore. Enquanto o nelorista reinava absoluto, se esqueceu de detalhes importantes. Nas pistas de julgamento de exposições levavam em consideração aspectos de menores importâncias como: vassoura do rabo, não sei o quê; cupim, não sei que jeito; orelhinha em forma de colher, etc...
Quando o nelorista despertou do berço esplêndido, a raça respondeu com precocidade de carcaça, precocidade sexual aliada à excepcional habilidade materna, ótimo rendimento de carcaça e uma carne saborosa. Nelore, a raça de pêlo branco, couro escuro e que o mundo está chamando de boi verde.

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