REBANHO PIONEIRO - Criar ou engordar?
Eis a questão
Por considerar que o preço do bezerro está tornando a engorda menos rentável, ou mesmo inviável, uma boa parte de tradicionais invernistas está partindo para criar pelo menos 30% daquilo que engorda. Uma outra parte, acha que o mercado oferece oportunidade para quem está atento ao comportamento da relação troca, ou seja, descobrir, dentro de sua planilha de custos, o que é mais vantajoso - ou necessário - naquele momento: segurar o boi para vendê-lo mais pesado, comprar bezerro ou boi magro...
O bezerro (dependendo da qualidade) é a categoria que apresenta o maior ganho ponderal em sua vida: até 60% ao ano. Um bezerro de 180 quilos de peso vivo, por exemplo, pode atingir 540 quilos aos 28 meses.
Já o boi magro tem um ponderal menor: 40% ao ano. Um boi magro de 330 quilos pode chegar a 462 quilos, após um ano, a nível de pasto.
Partindo deste princípio, chega-se a conclusão que a arroba de boi produzida através da recria de bezerros, garante uma maior rentabilidade. Porém, quando o ágio do bezerro para o boi gordo - quer em arroba ou quilo vivo - estiver acima dos 25%, a compra do boi magro (de qualidade) passa a ser economicamente interessante. Isso porque seu ágio é menor e compra-se, geralmente, com rendimento de carcaça calculado em 50%. No abate apresentará um ganho adicional, já que seu rendimento será superior a 50%.
Como a pecuária é uma atividade cíclica, cria-se a dúvida. Com o avanço genético, houve uma redução considerável na idade de abate, o que aumentou a procura pela reposição, que como qualquer outro mercado, é movido pela lei da oferta/demanda.
A taxa de fertilidade do rebanho brasileiro evoluiu, e muito, também. Mas não o suficiente para acompanhar a velocidade da recria e, menos ainda, da engorda. Uma outra consideração é que, embora tenha havido evolução, a gestação de uma vaca continua sendo de nove meses.
O analista de mercado e diretor da FNP Consultoria, Victor Abou Nehmi Filho, traça um paralelo muito interessante dentro desta linha de raciocínio: ''Nos últimos 20 anos, um criador hipotético elevou sua taxa de desmame de 50% para 75% (taxa próxima da máxima que se pode conseguir). Com isto ele reduziu o ciclo de produção de seus bezerros (intervalo entre desmames) em apenas seis meses. Ou seja, de 24 meses (50% de taxa de desmame) para 18 meses (75% de taxa de desmame).
Desta forma, houve aumento de produção de bezerros por vaca em 50%. Neste mesmo intervalo de tempo (20 anos) houve uma redução no período de engorda de aproximadamente 18 meses.
Um invernista que possuísse um rebanho de 100 cabeças, precisaria comprar 28 bezerros/ano, ao passo que hoje a necessidade de compra é de 45 bezerros/ano. Assim, este invernista aumentou sua necessidade de bezerros por boi em engorda em 61%''.
A genética - como todas as tecnológicas - só vai evoluir. A tendência, dentro de mais alguns anos, é diminuir ainda mais a idade de abate.
É claro que se ganhamos na precocidade de acabamento de carcaça, ganhamos, também, na precocidade sexual que, para mim, é mais importante. Temos hoje, em regime de pasto, novilhas nelore, - raça base do rebanho comercial brasileiro, e que era mais tardia, sexualmente falando - paridas aos 22/24 meses... Um enorme passo dado pelos melhoradores genéticos desta grande raça.
Para corrigir o desequilíbrio entre oferta e demanda - que é clássico na pecuária de corte de todo mundo - só há uma saída: aumentar o número de matrizes. Mas um plantel de parideiras, por mais mediano que seja - em qualquer época - não se faz da noite para o dia. Principalmente nos dias de hoje, em que a procura é muito maior que a oferta, o que eleva, de maneira significativa, o preço.
O ideal, em minha opinião, para quem quer ganhar tempo e obter retorno do investimento no curto prazo, é adquirir vacas paridas que, geralmente, já estão com outro bezerro na barriga. A chamada compra três em um. Mas aí cabe uma pergunta: onde consegui-las?
De fato não está fácil. É quase uma mosca branca. Mas caso apareça uma oportunidade, bata o martelo e garanta o negócio. Porque vaca parida, por mais que possa lhe parecer caro, sempre será um bom investimento... Observando, é claro, se você está mesmo convicto, de que está é a única maneira de aumentar a lucratividade.





