A pichação de um monumento em uma praça no centro de Quatiguá, a 180 quilômetros de Londrina, é a prova mais evidente de que parte da população não tem conhecimento de um fato marcante não apenas para a história do município, mas para todo o País. O obelisco, que se localiza na Praça Eurides Fernandes do Nascimento, é uma homenagem aos soldados que morreram durante a Revolução de 1930 em território que hoje faz parte de Quatiguá.
Mas antes de ser pichado, o monumento já tinha sido descaracterizado pela colocação de lâmpadas em sua parte superior. Agora, a prefeitura quer resgatar a história, com a remodelação completa da praça. O secretário de educação, Wanderley Forastieri da Silveira, afirma que a obra prevê a construção de um chafariz e servirá de proteção ao obelisco. ''Infelizmente há pessoas que não valorizam (a história) e ainda estragam o que temos. Por isso, vamos cuidar da proteção do momumento, evitando que as pessoas se aproximem'', afirma Silveira.
Ainda de acordo com o secretário, a prefeitura vai cuidar da arborização - que prejudica a iluminação da praça - e instalará iluminação mais adequada também no obelisco, retirando as lâmpadas colocadas na parte superior do monumento. As obras devem ser iniciadas no mês de novembro.
Ainda como parte do resgate histórico, a prefeitura contratou uma artista local para pintar uma parede da biblioteca cidadã, retratando uma trincheira da batalha entre paulistas e gaúchos daquela época. A prefeitura quer recuperar também um canhão usado na batalha e que hoje está em Curitiba.
O nome praça onde está o obelisco também tem importância histórica para a cidade. É uma homanagem a um morador da cidade que morreu em combate pela Força Expedicionária Brasileira na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.
Batalha decisiva
O professor de História, Roberto Bondarik, da Universidade Tecnológica Federal, em Cornélio Procópio, é um pesquisador incansável da Revolução de 1930. Ele se interessou pelo assunto não apenas por ser professor, mas principalmente por ter nascido em Quatiguá.
A revolução, lembra ele, ocorreu devido os gaúchos não terem reconhecido a eleição de Júlio Prestes para a presidência da República naquele ano. O candidato derrotado, Getúlio Vargas, assumiu a liderança de um movimento armado que partiu do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo.
Segundo Bondarik, a batalha que aconteceu nos dias 12 e 13 de outubro daquele ano, em Quatiguá, praticamente decidiu os rumos da história do Brasil.
Na batalha, 1.600 homens lutaram pelo lado do Rio Grande do Sul e 1.200 defenderam o estado de São Paulo. Eles se posicionaram em pontos estratégicos. localizados a menos de um quilômetro da cidade. ''Posso afirmar com certeza que a batalha em Quatiguá decidiu a história do Brasil, porque se os paulistas tivessem vencido, Getúlio Vargas não se tornaria presidente'', afirma o pesquisador.
Sem condições de oferecer resistência, o governo do presidente Washington Luis deixou o poder. Vargas chegou ao Rio de Janeiro, então capital da República, no dia 31 de outubro, acompanhado por 3 mil soldados gaúchos. Ele assumiu o governo ''provisório'' no dia 3 de novembro e permanceu na presidência até 1945.
O território onde aconteceu a batalha histórica pertencia, na época, ao município de Santo Antônio da Platina.


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Quatiguá luta para preservar história
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