Embora as autoridades digam que muitos crimes de estupro a vulnerável não sejam sequer denunciados, há um alto número de casos registrados, superando os 6,7 mil em todo o estado. Formada em direito e professora de Letras da Univerisidade do Norte do Paraná (Uenp), Diná Tereza de Brito acredita que atualmente as pessoas têm buscado mais o apoio de orgãos de repressão e combate a essa prática do que no passado.
Em sua tese de doutorado, ''Linguagem processual dos crimes de estupro sobre a estilística léxica'', ela diz ter tido acesso não só a forma escrita dos registros policiais, mas também um breve panorama dos casos no Estado desde os anos 50. Para ela o aumento dos casos se deve primeiro ao contexto social.''No passado quase sempre não haiva punição ao criminoso, a vítima era geralmente pobre. A justiça muitas vezes era lenta e menosprezava a mulher que era vista como instrumento de prazer. Na atualidade não, hoje os casos vêm a público e há punição'', alega.
Além da mudança no papel da mulher - até então a principal vítima de crimes sexuais - uma lei mais clara com a unificação dos artigos 213 que tratava de estupro e 214 que fala sobre atentado violento ao pudor, também é visto como fator determinante para essa mudança de comportamento. ''Hoje não é só a mulher que é vítima, mas também crianças e até homens. A lei é clara em dizer que qualquer pessoa pode ser vítima'', afirma.
O aumento no número populacional influenciando diretamente na quantidade de denúncias, também não pode ser descartado. Segundo Diná, no entanto, os casos de estupro devem mesmo ocorrer muito mais do que se chega ao conhecimento das autoridades. ''Ás vezes a família quer proteger o nome que tem a zelar. O crime sempre existiu'', argumenta. ''Com a internet se criou uma rede de pedófilos muito maior e hoje há informação, os casos são mais divulgados'', comemora.

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