A primeira edição do projeto Escola e Comunidade: parceria fundamental foi realizada em 2008. Mas a epidemia da gripe A, com a suspensão das aulas impediu a continuidade das visitas no ano seguinte. Este ano as atividades foram retomadas e não devem mais parar. O projeto já está dando frutos. ''Os alunos estão mais receptivos e motivados e a comunidade mais participativa'', conta a diretora da escola Ophélia Mello do Nascimento, Jussimary Pereira Arantes.
Para ela, o fato das crianças viverem em péssimas condições não deveria impedí-las de ter um ensino de qualidade. Jussimary também considera essencial que os alunos tenham atendimento prioritário com psicólogas e psicopedagogas e garante que irá lutar para garantir esses direitos. ''Os alunos com deficit de atenção que temos na escola hoje, são os mesmos que no passado não receberam tratamento especializado. Mas de agora em diante o quadro é outro. A comunidade, os pais desses alunos confiam no nosso trabalho e hoje temos uma responsabilidade maior do que antes'', considera.
Para a coordenadora pedagógica da escola, Luciana Mello Perensin Silva, o projeto é essencial para o desenvolvimento intelectual dos alunos. Ela explica que a fama do bairro causa grande rotatividade de professores, por isso, havia a necessidade de se conhecer de perto essa realidade.
''Muitas vezes os professores vêm da área central, com uma visão muito diferente da nossa. Trabalhamos na periferia. Em dias de chuva nossos alunos chegam molhados, com a roupa suja e alguns professores não entendem'', diz. ''A partir dessa iniciativa os professores passarão a olhar o aluno de outra forma. Conhecendo a sua realidade o professor pode aplicar melhor o conteúdo em sala de aula'', analisa. ''Por mais que façamos parte da classe média, não chega nem perto da realidade dessas crianças que, muitas vezes, moram num cômodo só. A sala da casa da gente é o tamanho da casa inteira deles'', compara. (K.A)

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