Projeto quer a salvar a pirapitinga
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Marcos André de Brito <br> Especial para a FOLHA 
Cornélio Procópio - Na lista de espécies de peixes ameaçadas de extinção da fauna brasileira, a pirapitinga (Brycon nattereri), espécie encontrada na bacia do rio Laranjinha, será tema de estudo de pesquisa da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), nos próximos três anos. O projeto do professor Bruno Ambrozio Galindo, do curso de Ciências Biológicas, do Campus de Cornélio Procópio, foi contemplado, recentemente, por edital da Fundação Araucária e Fundação Grupo Boticário, que garantirá recurso de R$ 55 mil para a pesquisa, que será realizada em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Com os estudos, espera-se mostrar o potencial da população do peixe no rio para integração de programa de manejo, visando aumentar as áreas de ocorrência da espécie, além de servir como base para início de um programa de monitoramento.
Segundo o professor e pesquisador Bruno Ambrozio Galindo, o projeto foi batizado de ''Análise da diversidade genética de uma população remanescente de pirapitinga (Brycon nattereri), uma espécie de peixe ameaçada de extinção encontrada no rio Laranjinha''. Os estudos vão buscar, num primeiro momento, dados da diversidade genética do peixe, informações que, segundo ele, serão indispensáveis para se iniciar um programa eficiente de conservação da espécie. Galindo pontua ainda que pretende-se atingir o número mínimo de 50 exemplares, com finalidade de estimar a diversidade genética dessa população e determinar o coeficiente de endogamia (reprodução entre a mesma espécie). A pirapitinga é um peixe de ocorrência rara e que, em alguns estados brasileiros, já é considerado virtualmente extinto, informa o professor.
Ainda segundo Galindo, a ocorrência da espécie está geralmente relacionada a locais com mata ciliar preservada, uma vez que depende muito de recursos encontrados na vegetação. No Laranjinha a população do pirapitinga foi identificada pelo professor no distrito da Moquém, município de Ventania (área central do Paraná) próximo à sua nascente. O rio é o principal afluente do Rio das Cinzas, que deságua no Paranapanema, integrando o sistema do Alto Rio Paraná.
Galindo, que já desenvolve trabalhos de levantamento da biodiversidade de peixes da bacia do rio Laranjinha, desde 2010 confirma: ''O registro da pirapitinga foi o segundo no Paraná, mas provavelmente seja a maior população registrada no Estado''. O professor, entretanto, não esconde sua preocupação com a sobreviência de peixes no rio, baseado em uma informação da Superintendência de Gestão e Estudos Hidroenergéticos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que prevê a construção de pequenas usinas hidreléticas na Bacia do Rio das Cinzas. Segundo ele, há registros de seis projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) - seis para o Laranjinha e cinco para o Rio das Cinzas.
Apoiado em outros pesquisadores brasileiros, Galindo assegura que a construção de barragens ''é uma das principais causas da perda da biodiversidade em ecossistemas aquáticos continentais brasileiros''. O professor da UENP já teve aprovados outros projetos de pesquisa de espécies de peixes no Rio Laranjinha - em 2011 para trabalhar com o cascudo e, este ano, para pesquisa de espécie migradora (curimba). Ele não esconde a satisfação e avisa que irá se empenhar para concluir o projeto que, em sua avaliação ''é fundamental para a conservação da espécie''.''É uma grande felicidade ter um projeto dessa magnitude aprovado. Fico muito honrado em participar e representar a UENP''. O professor pontua que nas pesquisas são usadas ''as técnicas mais modernas que existem. Tudo isto graças a parceria estabelecida entre a UENP e UEL'', conclui Bruno Ambrozio Galindo.


