Projeto promove inclusão digital para indígenas
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quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
Cornélio Procópio - Uma sala de aula no campus da Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), em Cornélio Procópio, poderia ser apenas mais uma como outra qualquer, mas o projeto nela desenvolvido vem acabar de vez com a ideia romântica de que lugar de índio é na aldeia.
Nesta sala, um grupo de índios participa de uma atividade que até pouco tempo poderia parecer algo difícil para uma comunidade indígena: em dois dias por semana, eles deixam suas aldeias em busca de noções de informática. Para a maioria, o curso propiciou o primeiro contato com computador. Com uma carga horária de 40 horas/aula, o curso é dividido em quatro módulos: introdução ao sistema operacional Windows, uso da internet e e-mail, editor de texto e planilhas. As aulas foram iniciadas há quase três meses com cerca de 20 alunos. O número de participantes das aulas é bastante variável porque os índios encontram outra dificuldade, além do acesso à tecnologia: a distância entre as aldeias e a sede da universidade, sendo que a comunidade indígena mais perto fica a 50km e a mais distante a 70km.
O vice-cacique Érikon Lourenço, da Reserva Terra Indígena de Laranjinha, do município de Santa Amélia, é um dos participantes do curso. Ele é mestiço, de 27 anos, tem poucas características indígenas, e está mantendo contato com o mundo virtual pela primeira vez.
Lourenço acredita que a inclusão digital chegou no momento certo porque o índio está cada vez mais integrado à sociedade. "Querendo ou não, você tem que se adaptar à nova realidade, aos costumes dos não-índios, porque senão, você não sobrevive", afirma. Ele só gostaria que o curso fosse ministrado em um local mais próximo da aldeia para que um maior número de índios pudesse participar.
Para o jovem Elon Lucas Jacinto, de 22, a inclusão digital poderá acabar (ou reduzir) o preconceito que os indígenas sofrem quando vão à cidade em busca de trabalho. Ele diz que sempre são preteridos porque as pessoas acham que os índios não tem capacidade de realizar algum tipo de trabalho no comércio ou em algum escritório.
Jacinto faz um duplo esforço para estudar. Ele também é da reserva de Laranjinha e, além do curso de informática em Cornélio Procópio, faz o curso de direito na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), em Jacarezinho.
O jovem se sente orgulhoso em estudar em uma das faculdades mais conceituadas do Brasil, mas não esquece suas origens. Ele está no primeiro ano e diz que vai fazer todo esforço possível para concluir o curso. "Eu vou me sentir bem melhor terminando este curso e podendo ajudar o meu povo; isso melhora muito a nossa autoestima", afirma.
Entre as participantes do curso, a jovem Raquel Raulino Sampaio, de 21 anos, é uma das únicas que já havia tido algum contato com o computador. Ela é da tribo Ywyporã, de Abatiá, e diz que de vez quando vai à casa de uma amiga na cidade e aproveita a ocasião para fazer alguns trabalhos escolares e fazer algo que está apreciando cada vez mais: entrar no facebook.
Para ela, o fato de se deslocar 70 quilômetros de distância para assistir as aulas de informática não chega a ser problema. "Isso vale como um passeio", diz, animada.


