Projeto ensina escultura a adolescentes carentes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de maio de 2002
Benedito Teles Equipe da Folha 
Ibaiti Uma parceria entre o escultor Sinézio Pereira Chueiri, conchecido como Kalu, e a Fundação de Apoio à Criança e ao Adolescente de Ibaiti (Facai), vinculada à prefeitura, está possibilitando o contato de crianças carentes da rede pública de ensino com a escultura. O projeto Ateliê Livre é uma iniciativa do próprio artista, de servidores da prefeitura e da Associação Cultural do município. O método adotado pelo projeto vai permitir que crianças sem acesso a este tipo de manifestação artística conheçam e recebam orientações do escultor.
Kalu, que é também professor de educação física, trabalha com escultura desde da adolescência, mas intensificou a produção de obras e a participação em exposições há 15 anos. Ele é ibaitiense e há 23 anos trabalha em outras regiões do Estado. Na década de 1990, conquistou prêmios no Salão de Artes Plásticas do Paraná e na 1º Mostra de Esculturas João Turim, em Curitiba. Em março, retornou ao município e iniciou o trabalho com um grupo de dez crianças.
O artista explica que o método de Ateliê Livre permite que o aluno participe das criações do professor e apreenda através da prática. O objetivo, segundo ele, é estimular a criatividade dos aprendizes. Na primeira etapa, o escultor vai trabalhar com a imaginação dos alunos por meio da realização de obras no Ateliê. Na segunda etapa, os alunos que demonstrarem aptidão serão orientados de maneira mais específica. Os materiais serão cedidos e as aulas não terão custos para as crianças e adolescentes.
Os aprendizes já integrados ao projeto estão realizando trabalhos no Ateliê. A expectativa é de que o escultor também realize oficinas para professores da rede pública e para estudantes. O estudante Sérgio Negrão, 14 anos, está entusiasmado. Ele disse que a partir das orientações do escultor conseguiu transformar os desenhos em peças. Sérgio passa cerca de quatro horas diárias na oficina.
Kalu diz que está animado com o projeto, em especial porque são raras inciativas como esta voltadas à produção de cultura. O escultor acredita que o trabalho vai proporcionar uma melhoria na condição cultural do município. Ele criticou a concentração de recursos destinados à cultura em Curitiba e avaliou que o Paraná é um Estado envergonhado de suas manifestações culturais. Como vamos discutir a escultura se não há esculturas para serem vistas e discutidas, questiona.
A presidente da Facai, Dini de Moura Fadel, afirma que o projeto vai permitir que as crianças e adolescentes deixem de ficar nas ruas e tenham acesso a uma profissão. Ela explica que o projeto prevê a realização de aulas práticas e vai assegurar uma possibilidade de sustento para os estudantes.
A prefeitura, segundo ela, pretende expor as peças criadas pelos alunos na Feira da Lua. O objetivo da barraca é expor a produção e comercializar algumas peças.
A presidente da Associação Cultural de Ibaiti, Eliane Negrão, considera o projeto fundamental para o setor cultural do município. Segundo ela, a vinda de um artista reconhecido em todo o Estado vai assegurar um estímulo a todas as manifestações culturais locais. Eliane argumenta que Kalu é um artista qualificado e tem conhecimentos que poderão ser aproveitados em outros projetos culturais. A Associação Cultural pretende realizar oficinas e intensificar o trabalho artístico junto à Secretária Municipal de Ação Social.


