O Complexo Industrial que inclui uma unidade de processamento e beneficiamento de pescado e uma fábrica de ração no município de Pinhalão já foi alvo de críticas e investigações do Tribunal de Contas da União. A reportagem da FOLHA esteve no local há alguns dias e na ocasião a obra estava parada, o andamento da instalação daquele que é visto pelo Ministério da Pesca como o maior projeto da interiorização da pesca no país está andando a passos lentos. A primeira previsão era que o frigorífico de peixes e a fábrica de ração iniciassem o funcionamento no mês de fevereiro deste ano. Houve um atraso na obra e a nova data teria sido estimada para agosto, mas de acordo com o prefeito de Pinhalão, Claudinei Benetti, a nova data para início de funcionamento está prevista para fevereiro do ano que vem. A obra está paralisada devido a investigações do Tribunal de Contas da União (TCU), e do Ministério da Pesca, sobre a aplicação de recursos na ordem de R$ 25 milhões, vindos deste Ministério.
Conforme Eduardo Giaciani Carinta, proprietário de um frigorífico de peixes no interior de São Paulo e assessor do prefeito no assunto, o objetivo do projeto é envolver 85 cidades na implementação da cadeia de pescados no Brasil. "O peixe produzido será direcionado para uso na merenda escolar", afirma. Após a separação do filé da tilápia, o restante do peixe será utilizado na produção de farinha e direcionado para a fábrica de ração, que também será construída no complexo.
Apesar de especialistas criticarem a área escolhida para implantação do frigorífico, Carinta afirma que a região de Pinhalão tem muitos cursos d’água, o que facilita a construção de tanques escavados. O prefeito destaca que a proximidade de municípios como Carlópolis e Ribeirão Claro favorecem Pinhalão. "Onde a obra é não interessa. Temos caminhões e estrutura para transportar o pescado. Quem apresentou o projeto foi Pinhalão e nós vamos produzir muito peixe", destaca o prefeito. "Tudo acontece com incentivo, sem incentivo ninguém produz nada", acrescenta Benetti.
O prefeito afirma que uma das metas do projeto é possibilitar uma nova fonte de renda para o pequeno produtor que tem água na propriedade. "Já temos 800 produtores cadastrados interessados em iniciar a criação de peixes. Estão todos esperando o término da construção do frigorífico para começar a construção dos tanques escavados", aponta o prefeito. De acordo com ele, máquinas do Ministério da Agricultura serão utilizadas na escavação dos tanques nas propriedades. "O produtor vai custear apenas o combustível", aponta.
De acordo com Benetti, a produção de peixes em alta escala conta com o apoio do governo do Paraná. "Conseguimos uma dispensa no Estado para construirmos tanques com até 20 mil metros de lâmina d’água sem a necessidade de licenciamento do IAP (Instituto Ambiental do Paraná)", destaca. Ele acredita que a economia de Pinhalão já está mudando e vai apresentar melhorias após o início das atividades do frigorífico. "O impacto na economia do município já está ocorrendo, muitos empregos estão vindo e dentro de dois anos nós teremos retorno", garante.

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