Professora iniciou luta sem 'pretensão'
Ana Lúcia concorda que o cartão é um benefício, mas destaca que a isenção não atende toda a comunidade local
A luta da professora Ana Lúcia Baccon contra o pedágio começou por força das circunstâncias, assim que a praça localizada entre Cambará e Andirá foi transferida para a divisa com o Estado de São Paulo. A mudança trouxe dois problemas.
Na época, a professora era presidente da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), em Jacarezinho, e passou a receber reclamações de professores que lecionavam em Ourinhos, logo após a ponte sobre o Rio Paranapanema. Esses profissionais se viram obrigados a deixar parte do salário na praça de pedágio. O valor diário hoje corresponde a R$ 24,80.
Em busca de alternativas para resolver o problema, Ana Lúcia solicitou cópias do contrato ao Departamento de Estradas de Rodragem do Paraná (DER) e tentou negociar com a concessionária a isenção ou redução da tarifa para os professores. A resposta foi negativa, mas ela descobriu supostas irregularidades no contrato.
Mas não foram apenas os professores que se sentiram prejudicados. A praça do pedágio praticamente ''ilhou'' os moradores do distrito de Marques dos Reis, no município de Jacarezinho. A situação da localidade é peculiar: embora esteja no Paraná, o distrito é mais ligado à cidade de Ourinhos, no Estado de São Paulo, por uma questão de proximidade. Ele fica a apenas um quilômetro de Ourinhos e a 20 quilômetros de Jacarezinho.
A comunidade se revoltou e o problema foi resolvido ao menos em parte com um cartão que isenta a cobrança dos moradores do distrito.
A professora Ana Lúcia concorda que o cartão é um benefício, mas destaca que a isenção não atende toda a comunidade local. O envolvimento nas duas situações a transformou a professora em uma liderança e hoje integra o Movimento Nacional Contra o Pedágio. (E.A.)





