Santo Antônio da Platina - Para o piscicultor Aparecido Sabino da Costa, 60, que há 15 anos atua no segmento em sua pequena propriedade à margem da PR-092, entre Santo Antônio da Platina e Andirá, a proposta do governo federal é realmente atrativa, porém, sem os frigoríficos e uma organização do mercado a criação de tilápias no Norte Pioneiro corre sério risco de fracassar. "Comecei criar tilápia há 15 anos e vi no negócio a oportunidade de conseguir retirar da propriedade o retorno que não havia obtido até então com outras atividades. O investimento para a criação de peixe é baixo, e se torna bastante atrativo com o incentivo do governo."
Seu Aparecido, a esposa, os filhos e outros cinco funcionários abatem em média oito mil quilos de tilápia por mês. Na propriedade da família, o criador mantém uma estrutura completa - e com as devidas autorizações - para preparar e congelar o filé do peixe. As bandejas com filés são distribuídas para pesqueiros da região, responsáveis pelo consumo de 95% da produção do piscicultor. O quilo do filé de tilápia é negociado a R$ 19.
Em seus cálculos, o peixe pode ser a melhor opção em termos de rentabilidade e retorno rápido ao pequeno produtor, mas para isso acontecer é preciso vender. "Enfrentamos dificuldades para negociarmos a produção. O projeto do governo federal aumentou significativamente o número de criadores de tilápia na região. Hoje temos a maior produção do país, mas infelizmente não temos para quem vender", lamenta.
A expectativa de abertura de mercados, segundo ele, ficava para o funcionamento dos frigoríficos de Cornélio Procópio e de Pinhalão, que ainda não prosperaram. "Muitos produtores que investiram no negócio já estão mudando de atividade por conta da demora no funcionamento das unidades de abate. Eu ainda continuo no ramo porque tenho uma clientela que mantém o meu negócio, pois do contrário certamente já teria parado", revela Costa. (L.G.B.)

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