Prisão de jornalista procopense causa comoção
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terça-feira, 01 de outubro de 2013
Marcos André de Brito<br>Especial para a FOLHA 
Cornélio Procópio A prisão da jornalista Cláudia Trevisan nos Estados Unidos na última semana causou indignação e perplexidade na comunidade procopense e na região. A procopense é correspondente do jornal Estado de São Paulo naquele País. De acordo com o Estadão, Cláudia foi algemada e detida na última quinta-feira, na Universidade Yale, uma das mais respeitadas dos Estados Unidos, quando tentava localizar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, que fazia uma conferência no local. Ela foi mantida incomunicável por quase cinco horas, inicialmente dentro de um carro policial e depois em uma cela do distrito policial de New Haven, cidade onde fica a universidade. A profissional só foi liberada após ser autuada por "invasão de propriedade privada".
A notícia de sua detenção foi recebida com indignação por familiares, autoridades e representantes de entidades ligadas ao jornalismo do Norte Pioneiro.
A Câmara de Vereadores da cidade aprovou ontem, por unanimidade, na sessão ordinária, uma moção de repúdio pela arbitrariedade cometida pela polícia americana, proposta pelo vereador Vanildo Sotério (PP). O documento será encaminhado para a Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília. O prefeito Fred Alves (PSC) estranhou esta atitude justamente de um país considerado o berço da democracia no mundo. Para ele, a prisão foi totalmente equivocada e fere os princípios da liberdade de imprensa.
Nota de repúdio
O presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) e prefeito de Bandeirantes, Celso Silva, confirmou que a entidade também está encaminhando uma Nota de Repúdio contra a prisão da jornalista procopense para o Ministério das Relações Exteriores, a Organização das Nações Unidas (ONU), a ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil da Presidência da República, o Senado e para os deputados federais e estaduais. "Não concordamos em hipótese nenhuma com esta prisão arbitrária, procedida de forma errônea e absurda", afirmou Silva.
O vice-presidente da Associação dos Jornais e Revistas do Interior do Paraná (Adjori/PR), o procopense Wagner Gonçalves de Oliveira, considerou desprezível a atitude da polícia americana. "Este episódio acontecer justamente em uma das mais importantes universidades do mundo é no mínimo um absurdo", disse. Vários jornalistas que conviveram com a correspondente Cláudia Trevisan também ficaram revoltados com a sua prisão. "Foi uma vergonha para a Universidade de Yale e para este país. Um absurdo sem limites", afirmou o jornalista José Leite Cordeiro, da Rádio Graúna FM.
Momentos de pânico
Cláudia se disse surpresa com a prisão e com a justificativa da Universidade. "Algemas são coisas dolorosas para usar. Ser impedida de fazer um telefonema durante cinco horas é uma violência terrível. Ser tratada como criminosa e colocada em uma cela, onde você precisa fazer xixi na frente de policiais, é uma humilhação extrema. Em todo esse processo, ninguém da Yale tentou ouvir a minha versão dos fatos. Surpreende-me, pois é uma faculdade de direito. Eu não invadi nenhum lugar", declarou. "Passei cinco anos na China, viajei pela Coreia do Norte e Mianmar e não me aconteceu nada remotamente parecido com o que passei na Universidade de Yale", contou. Através do Facebook, o irmão de Cláudia, Eduardo Trevisan confirmou que ela passou o final de semana com a família. Em entrevista à FOLHA, Cláudia afirmou que por enquanto aguarda os procedimentos que o jornal O Estado de São Paulo está tomando em relação ao episódio. "Quero mesmo é esquecer tudo isto". A jornalista é filha do ex-deputado constituinte e ex-prefeito de Cornélio Procópio, Oswaldo Trevisan, e de Lia Lacerda Trevisan, que faleceu recentemente. Seus irmãos, a promotora de Justiça do Paraná Fernanda Lacerda Trevisan Silvério e o juiz de direito no Mato Grosso, Eduardo Trevisan, também manifestaram indignação com a prisão.


