Preso que incendiou cela tinha doença mental
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Carlópolis - A cela da delegacia de Carlópolis, destruída por chamas depois que um detento ateou fogo em colchões na noite da última sexta-feira, deve permanecer interditada, por pelo três meses. O detento Vagner Júlio da Silva, de 28 anos, responsável por dar início ao fogo, morreu asfixiado, e seu colega de cárcere, Altair Arruda da Silva, de 38, sofreu queimaduras.
Até o momento da ocorrência, a delegacia tinha capacidade para abrigar 24 detentos, mas mantinha 35, divididos em quatro celas. "Com uma cela a menos, temos 34 presos em um espaço para 20", lamenta o delegado Marcos Paulo Rigoni Rubira.
Conforme ele, o custo da restauração do espaço ainda está sendo levantado e a solicitação de verba para a obra deve ser feita ao Grupo Auxiliar Financeiro da Polícia Civil de Curitiba.
O caso
Silva havia sido preso no dia 8 de dezembro, após sua mãe e uma irmã apresentarem queixa contra ele por agressão. O rapaz chegou a ser mantido em uma cela com alguns presos, mas com poucos dias de convivência sua remoção foi solicitada. "Os detentos começaram a reclamar do comportamento dele e achamos por bem transferi-lo para uma cela onde estava apenas um preso".
Rubira acrescenta que Silva apresentava problemas mentais e teria ficado detido por nove anos em manicômio para detentos no Paraná. Segundo o delegado, ele havia recebido alta no início do mês, mas como agrediu familiares voltou a ser preso. "Pelo histórico dele, tentávamos sua transferência para um manicômio, mas o inquérito leva alguns dias para ficar pronto e não houve tempo hábil".
Por volta das 23 horas da última sexta-feira, Silva colocou os colchões junto as grades da cela e ateou fogo no material se utilizando de um isqueiro. Altair da Silva, que dividia o espaço com ele teve 39% do corpo queimado, principalmente na região de ombros e costas. Internado na Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho, seu estado de saúde é considerado estável.
Rubira, que estava na delegacia no momento da ocorrência, afirma nunca ter presenciado algo parecido. "Ele colocou fogo nos colchões e em algumas roupas se sentou no beliche e ficou observando tudo. Seu companheiro de cela ligou o chuveiro, tentando se proteger, mas não gritaram por socorro. Fomos alertados por gritos na cela em frente", relata o delegado.
Sobre a presença do isqueiro na cela, Rubira informa que, antes de assumir a delegacia, os presos já tinham a liberdade de fumar no ambiente, mas esta concessão será reavaliada e pode ser suspensa nos próximos dias.


