Cornélio Procópio - Os efeitos da geada no dia 24 de julho foram mais evidentes nas lavouras de café, mas esta não foi a única cultura atingida pelo fenômeno na região. Outras lavouras foram prejudicadas, não apenas pela geada, mas também por outros fatores climáticos nos municípios sob a jurisdição dos núcleos regionais da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) em Cornélio Procópio e Jacarezinho.
O economista Santo Pucinelli Filho, do Departamento de Economia Rural (Deral) em Cornélio Procópio, diz que as outras culturas mais atingidas na região foram o milho safrinha e o trigo, além de parte das pastagens. O trigo e o milho foram prejudicados, segundo ele, pela falta de chuva de chuva em junho e pelo excesso de chuva em julho, sem falar das doenças que apareceram por causa do aumento da umidade. A geada "apenas" encerrou este ciclo.
Na regional de Cornélio Procópio, o levantamento aponta que houve perdas acumuladas de 30% nas lavouras de milho safrinha, com a produção inicial estimada caindo de 1 milhão de toneladas para pouco mais de 700 mil toneladas, e nas lavouras de trigo, as perdas chegam a 40% com uma redução que pode chegar a 100 mil toneladas.
Na regional de Jacarezinho, a estimativa de perda do milho safrinha chega a 57 mil toneladas e a de trigo a 40 mil toneladas, o que corresponde a cerca de 42% da colheita prevista.
Os relatórios dos dois núcleos regionais apontam que entre 70% e 80% das lavouras de café foram atingidas, com perdas que podem variar entre 50% a 60% na safra de 2014. Segundo os técnicos da Seab, uma parte das lavouras deverá ser erradicada.
As perdas financeiras nas lavouras de milho e trigo na regional de Cornélio Procópio podem chegar a R$ 150 milhões e a R$ 18 milhões na cultura de café; e na regional de Jacarezinho, a estimativa é de R$ 50 milhões nas lavouras de milho e trigo e de R$ 70 milhões na cafeicultura. Somando as três culturas, o prejuízo estimado aos agricultores nas duas regionais chega a R$ 288 milhões.

Providências
O secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, anunciou na semana passada algumas medidas para ajudar os cafeicultores atingidos pela geada, com prioridade para as pequenas propriedades.
A Seab deve distribuir 20 mil toneladas de calcário e mais 10 mil toneladas do produto por ano nos próximos seis anos nos municípios mais afetados.
A proposta da secretaria inclui ainda a negociação do crédito rural com juros e prazos compatíveis com as necessidades dos cafeicultores, uma vez que os produtores poderão ficar até dois anos sem a renda gerada na cultura de café.
Os técnicos do Deral iniciaram negociações com o Banco do Brasil para a abertura de linhas de crédito especiais para atender os produtores de milho e trigo.

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