O ribeirão recebe efluentes de indústrias e esgotos clandestino pelas redes pluviais provocando seu assoreamento em quase toda a extensão
O ribeirão recebe efluentes de indústrias e esgotos clandestino pelas redes pluviais provocando seu assoreamento em quase toda a extensão | Foto: Polícia Ambiental/Divulgação



Uma iniciativa envolvendo a comunidade de Jacarezinho pretende revitalizar o Ribeirão Ourinho, um curso hídrico que corta a cidade e é de fundamental importância à saúde e segurança dos moradores, bem como à história do município. No próximo sábado (25), o projeto será oficialmente apresentado à população, às 9 horas, com concentração na Praça Rui Barbosa, de onde sairá uma carreata com destino à Praça Guadalajara, na Vila São Pedro, onde acontecerá a abertura oficial da campanha e um abraço simbólico no ribeirão.

O Ribeirão Ourinho nasce na região sul de Jacarezinho, possui aproximadamente 15 quilômetros de extensão e deságua no Rio Fartura, que integra a Bacia do Paranapanema. De acordo com a advogada Iraci Baggio, o projeto surgiu com a Campanha da Fraternidade 2017, que tratou dos biomas brasileiros. "Aqui, estamos no bioma da Mata Atlântica, e temos ciência de como ele está sendo afetado pela ação antrópica. Em vista disso, resolvemos voltar nossos olhares para essa realidade aqui de Jacarezinho, porque a campanha lançou um desafio, que é cuidar da natureza que nos cerca", explica Iraci. "Então baseado nisso, um grupo de pessoas da Paróquia Sagrado Coração de Jesus resolveu empenhar esforços no sentido de fazer esse gesto concreto da Campanha da Fraternidade. Reunimos as pessoas da comunidade, a população de Jacarezinho, e os interessados começaram a formar esse grupo, que hoje conta com um número significativo de voluntários, e todos colaborando".

O objetivo é que cada um, ou cada grupo, "adote" um espaço no curso do Ribeirão Ourinho para realizar o plantio de mudas e cuidar do seu crescimento e desenvolvimento. As mudas serão disponibilizadas pelo IAP, e cedidas mediante solicitação prévia com a recomendação do local a ser plantado. O grupo formado para revitalizar o Ribeirão Ourinho não é institucional, ele é formado por pessoas da comunidade com a parceria de algumas instituições como: o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Polícia Ambiental e a Prefeitura de Jacarezinho, além das escolas estaduais e outros interessados que foram se agregando ao projeto.

O comandante do 4º Pelotão de Polícia Ambiental de Jacarezinho, subtenente Claudio Henrique Cavazzani comentou a iniciativa. "Trata-se de um projeto muito importante. A ação envolvendo todos os órgãos ambientais em conjunto com a sociedade civil resultará em um grande trabalho de revitalização do Ribeirão Ourinho, e quem ganha com isso é a população e o meio ambiente", salientou.


De acordo com o comandante da Polícia Ambiental de Jacarezinho, subtenente Claudio Henrique Cavazzani, o ribeirão recebe muitos efluentes de indústrias, esgotos clandestino pelas redes pluviais provocando grande acúmulo de lixo em quase toda sua extensão. "Inicialmente faremos um trabalho de educação ambiental nas escolas, e posteriormente, por meio de políticas públicas, desenvolveremos ações para acabar com as redes clandestinas de esgoto e a liberação de resíduos no ribeirão sem o devido tratamento pelas indústrias. Com a densidade demográfica, também precisamos nos atentar para as minas que desaguam no Ribeirão Ourinho, e também estão sendo poluídas", alerta o oficial.

O Projeto prevê ainda atuação em diversas áreas com ações imediatas, como por exemplo: desassoreamento do ribeirão; fiscalização e autuação pelo lançamento irregular de resíduos sólidos, esgotos sanitários, efluentes sem tratamento; notificação para ligação dos esgotos na rede coletora; limpeza e demarcação da borda; implantação de rede coletora de esgotos e águas pluviais; implantação de lagoa de contenção visando impedir enchentes e o assoreamento; implantação de áreas de lazer e pistas de caminhada em convivência harmônica com a natureza; remanejamento das construções existentes nas proximidades da calha do rio; revisão do Plano Diretor, dentre outras, as quais serão implementadas a curto, médio e longo prazo, conforme as possibilidades e disponibilidade de recursos físicos, humanos, financeiros, políticos.

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