População protesta contra transferência de escultura
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Marcos Brito Especial para Folha 
A comunidade católica de Cornélio Procópio está preocupada com o destino de uma escultura do Cristo Crucificado, em tamanho natural, entalhada em madeira e que ornamenta o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na Paróquia São Vicente de Paulo. O Centro de Eventos Sociais e Religiosos de Marialva (Cesorema) tenta recuperar a obra para abrigá-la no museu municipal.
A escultura foi um presente do padre palotino Théo Hermann, vigário da Igreja de Marialva ao, também palotino, padre João Vicente Hennic que dirigia a paróquia procopense há cerca de 42 anos. Os dois já faleceram e a intenção do Cesorema é questionada pelos fiéis, inconformados com a possibilidade de transferência da imagem, fixada no altar principal da Paróquia.
O Cesorema esclarece, em correspondência enviada à paróquia, que pretende colocar a imagem no Museu de Marialva, que possuirá em seu acervo, relíquias, obras de arte, fotos e objetos que fizeram e fazem a história do município. A intenção dos diretores do museu é transferir a obra para Marialva para homenagear o padre Théo Hermann e o artista Hélio Depieri, que colaborou na confecção da escultura. A correspondência enviada pelo Centro esclarece que a obra tem valor artístico e histórico porque o autor também é responsável pelo projeto e construção da Igreja matriz de Marialva.
Segundo a professora Doralice Cicarelli de Morais, de Cornélio Procópio, a imagem fixada no altar da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro representa a própria identidade do local. Ele participa há 20 anos dos movimentos da Igreja e garante que nunca imaginou que a comunidade de Marialva pudesse reivindicar a escultura. Por aqui passaram milhares de pessoas, casais, crianças, religiosos e fiéis admirando a imagem. Não é justo que agora ela vire uma peça de Museu, desabafou Doralice Morais.
O bancário César Aparecido Fiorini teme que, com a transferência da peça, ela perca seu significado de devoção e se transforme em referência histórica como peça de museu. O padre Heleno Adinaldo de Araújo começou a realizar um levantamento para esclarecer como a escultura veio para a cidade e, juntamente com a avaliação da Diocese, deverá apresentar a decisão da Igreja nos próximos dias.


