População de Nova Santa Bárbara reclama de atendimento à saúde
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
O direito à saúde, apesar de assegurado pela Constituição brasileira, não tem sido devidamente cumprido em diversos municípios do país. Como em Nova Santa Bárbara, onde o atendimento prestado pelo único posto de saúde tem incomodado moradores.
O frentista Marcos Natalino da Silveira ainda sente os reflexos que a falta de um especialista pode causar. Recentemente, sua esposa ele esteve no posto em busca de atendimento para o filho de apenas quatro meses, que chorava muito sem causa aparente. O médico, segundo ele, teria se negado a atender o bebê alegando o número de pessoas marcadas para aquele dia. O frentista lembra que a esposa voltou para casa sem que a criança recebesse qualquer atenção.
Dois dias depois, no domingo (17), o bebê teve seguidas convulsões. ''Ainda não sabemos o que causou, mas tudo indica que tenha sido febre alta'', diz ele. O atendimento foi obtido na cidade vizinha, Assaí, onde os profissionais da saúde encaminharam a criança para um hospital de Londrina.
De acordo com ele o menino ficou com sequelas e precisará ser acompanhado pelos próximos meses por um neurologista. ''Já gastei mais de R$ 1,5 mil e agora tenho procurado atendimento em Cornélio (Procópio), porque aqui não dá mais'', reclama Silveira.
No último final de semana foi a vez do agricultor Antonio Plácido Nogueira ter o direito ao atendimento negado pelo médico da unidade de saúde de Nova Santa Bárbara. Ele reclamava de uma crise de asma, além de fortes dores abdominais. ''A enfermeira me disse que não poderia fazer nada e que era preciso marcar uma consulta, como se eu pudesse escolher a hora que sentirei dor'', protesta.
Nogueira afirma compreender que a saúde pública enfrenta dificuldades em diversos lugares do Brasil, mas questiona o fato de uma cidade pequena passar por tantos problemas. A população de Nova Santa Bárbara não chega a 4 mil pessoas, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O prefeito de Nova Santa Bárbara, Claudemir Valério (PSDB), reconhece que há dificuldades no atendimento, mas alega que os funcionários do posto são instruídos a acionar a prefeitura ou a secretaria de saúde. ''Temos um convênio com Assaí para onde enviamos os casos mais graves que não possam ser resolvidos aqui.'' Segundo o prefeito, são investidos aproximadamente R$ 8 mil por mês para manter o convênio.
Valério afirma ainda que até outubro uma clínica especializada em atender mulheres e crianças deve começar a funcionar, com um pediatra e um ginecologista. ''O público que mais procura o posto é de gestantes e crianças, com a clínica o problema de consulta será amenizado'', defende.


