Ponte foi destruída três vezes
Além da Alves Lima, o Brasil possui outras duas pontes pênseis - a Hercílio Luz, em Florianópolis (SC), que está interditada porque sua estrutura está comprometida pela corrosão e a de São Vicente (SP), a mais antiga e inaugurada em 1914.
A Ponte Alves Lima tem 164 metros de extensão e possui 82,5 metros no setor sobre o rio Paranapanema. É a única ponte pensil do Brasil com laterais e piso revestidos em madeira. Bastante estreita para os padrões atuais, ela representou na época, a ''salvação da lavoura'' pelos cafeicultores e produtores rurais.
O nome é uma homenagem ao seu idealizador, o fazendeiro Manoel Antônio Alves Lima. Segundo documentários da época, o Norte Pioneiro foi colonizado por meio de uma ocupação espontânea de levas de paulistas e mineiros, trazendo a cultura do café para o Paraná.
A transposição dos rios, como o Paranapanema, representou uma dificuldade a mais, principalmente na hora de escoar a produção cafeeira. Meios de transporte precários e a inexistência de estradas eram o tormento daqueles que se estabeleceram nas novas terras que, se por um lado eram férteis e produtivas, por outro dificultavam a transferência de suas riquezas para os centros consumidores.
De início a transposição do Rio Paranapanema era feita por balsa, que, além das dificuldades do transporte, não oferecia condições de segurança.
Histórico de destruição
Durante a Revolta Tenentista, em 1924, revolucionários paulistas em fuga para Foz do Iguaçu, queimaram a ponte Alves Lima, que foi construída em madeira, para tentar retardar a perseguição das tropas legalistas. Na época, a ponte foi bastante danificada e, no ano seguinte, reconstruída sob a administração de Antônio Alves de Lima. A ponte foi reerguida em 1928, mas durou pouco.
Passados quatro anos, outra revolução, a Constitucionalista em 1932, derrubou novamente a Alves Lima. O ex-presidente Getúlio Vargas decidiu extinguir o Congresso Nacional após desdobramentos da crise da bolsa de Nova York, em 1929, e nomeou um interventor para o governo de São Paulo. A oligarquia paulista, capitaneada pelos cafeicultores, enfrentava uma crise econômica e pediu para o governo federal convocar uma constituinte.
Sem sucesso, eles decidiram começar uma luta armada, mas se viram atacados em várias frentes por forças que apoiavam Vargas. Em 1932, tropas gaúchas que eram legalistas de Vargas, se reuniram em Ribeirão Claro para atacar os paulistas. Ao saberem que os gaúchos estavam aquartelados em Ribeirão Claro, recuaram e dinamitaram a ponte Alves Lima para retardar o avanço das tropas. A ponte só foi reerguida em 1936. Uma nova tragédia, porém, derrubou a ponte pela terceira vez. Foi em 1983, quando a região sofreu uma das maiores enchentes.
A obra foi recuperada novamente dois anos depois e continuou funcionando até 2006 - no meio do caminho chegou a ser queimada em um ato de vandalismo, mas os ribeirinhos conseguiram controlar as chamas. Teve de ser interditada por causa da falta de manutenção, mas agora, com a restauração, volta a dar os ares de sua graça. (M.A.B)





