Piscicultura pode aumentar arrecadação de cidades
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terça-feira, 25 de junho de 2013
Eli Araujo<br>Reportagem Local 
Pinhalão - O prefeito de Pinhalão, Claudinei Benetti (PSD), está convencido de que a piscicultura pode dar um novo impulso à economia não somente da região, mas de todo o Brasil. A avaliação do prefeito foi feita após o retorno da viagem à Israel, onde foi conhecer novas tecnologias para a criação de peixes. Benetti fez parte da comitiva oficial brasileira que passou uma semana naquele país do Oriente Médio.
Benetti estima que a criação de peixes poderá dobrar, no futuro, a arrecadação dos pequenos municípios brasileiros, o que iria contribuir para melhorar os investimentos em áreas prioritárias para a sociedade, como saúde e educação. Ele cita como exemplo o município de Pinhalão, que quando alcançar a produção de 60 mil toneladas de peixe por ano terá um aumento na emissão de nota fiscal de R$ 300 milhões, o que é mais que o dobro do montante atual. "Imagine agora este aumento acontecendo em todos os mais de 5 mil municípios brasileiros?" pergunta.
O prefeito ficou impressionado com algumas diferenças na criação de peixes entre o Brasil e Israel. A primeira é a localização daquele país, que fica em uma área de deserto e, portanto, tem deficiência de água para criar peixes em água doce. Isto só é possível com a dessalinização da água do mar que é colocada em reservatórios. A mesma água que passa pelos tanques é usada depois na irrigação de lavouras.
Outro detalhe que chamou a atenção do prefeito é que todo sistema de produção é automatizado, sem nenhum contato manual. Em Israel, apenas duas pessoas conseguem atingir uma meta de produção, enquanto no Brasil seriam necessárias pelo menos 300 pessoas para alcançar o mesmo objetivo, compara o prefeito. O Brasil ainda consome cerca de 40% a mais de ração para que uma tilápia alcance o mesmo peso que no outro país. "Nós não temos essa tecnologia e a nossa mão de obra é muito cara", justifica.
Benetti ainda ficou impressionado com a forma como os peixes criados em água doce são imunizados em Israel. O país desenvolve uma alga que funciona como uma espécie de "vacinação em massa", enquanto no Brasil cada peixe precisa ser vacinado individualmente. "Você já imaginou o trabalho que dá vacinar um milhão de peixes", afirma o prefeito.
Apesar do otimismo, o prefeito acredita que não será fácil o Brasil aumentar a sua produção. Atualmente, o Brasil produz 600 mil toneladas de peixe por ano, mas segundo o prefeito, há um potencial de produção de 150 milhões de toneladas no mesmo período. Ele faz outra comparação: a China, que tem a metade da água doce do Brasil, produz 69 milhões de toneladas de peixes por ano, o que é 100 vezes maior que a produção brasileira.
Segundo o prefeito, embora pareça simples, o aumento da produção de peixes no Brasil não depende apenas da vontade dos piscicultores, mas sim de vontade política para mudar esta situação, o que inclui a liberação de recursos para incentivar a produção. "O Congresso precisa comprar esta briga porque tem deputado que nem sabe o que está acontecendo no País e se não houver esta mudança nós vamos continuar na mesmice", critica.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, assinou um convênio com o governo de Israel para transferência de tecnologia para o Brasil.
Projeto ambicioso
Benetti foi convidado para viajar a Israel porque está sendo implantado em Pinhalão um projeto de piscicultura que deverá servir de modelo para o Brasil. Esta é a intenção do Ministério da Pesca e Aquicultura.
A cidade terá um abatedouro com capacidade para abater inicialmente 30 a 40 toneladas de peixes por dia.
No momento, a obra está em fase final de terraplanagem e a estimativa é que o abatedouro fique pronto em fevereiro do ano que vem. O investimento previsto é da ordem de R$ 25 milhões.


