Personalizar estatísticas
A Folha revela e investiga o aumento no número de vagas em instituições de ensino superior na região de Cornélio Procópio e a medida judicial proposta pela Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) devido a demora na restauração da BR-153, entre Santo Antônio da Platina e Ibaiti.
O aumento no número de vagas no ensino superior em Cornélio Procópio reflete dois cenários que, embora benéficos para parcela da comunidade, desmonstram negligência com outra parcela substancial da população.
O aumento do número de vagas sinaliza a ampliação das oportunidades de emprego para os estudantes oriundos da classe média e alta, mas também demonstra a privatização gradativa do ensino e a exclusão dos estudantes de instituições públicas de ensino superior. A expectativa é que as instituições também se preocupem com a formação de cidadãos comprometidos com a pesquisa e a extensão à comunidade de trabalhos e projetos de pesquisa que beneficiem todos os setores, inclusive, os carentes.
Na região de Jacarezinho, o Norte Pioneiro se pergunta qual o limite da tolerância da população em relação à ausência de investimentos públicos em obras que possam reduzir o número de vítimas sociais. A medida da Amunorpi de responsabilizar criminalmente os diretores do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) e alertar a comunidade sobre a precariedade da estrada e a negligência, senão dos diretores, dos condutores do processo de investimento do erário público, serve como um alerta oportuno sobre a necessidade de priorizar vidas, ao invés de planilhas de organismos internacionais.
Uma pessoa lembrou comovida que passou de usuário à vítima da rodovia BR-153. Com fraturas pelo corpo afirmou que deixaria de trabalhar e teria inúmeros transtornos para se recuperar. Apesar do apelo, o DNER justificou que o Ministério de Gestão e Orçamento não havia liberado recursos, previstos no Orçamento Geral da União, para o Ministério dos Transportes. Uma resposta técnica para um desabafo emotivo. Talvez a medida cautelar tenha, justamente, a função de humanizar estatísticas e personalizar reivindicações.





