Pensei em largar a universidade
Cornélio Procópio - Entre os casos que estão sendo investigados pela Polícia Civil de Cornélio Procópio está o de Vanessa (nome fictício), 20 anos. Ela conta que em pouco tempo, o sonho de ter passado em uma renomada universidade do Norte Pioneiro, em um curso bastante concorrido, se tornou pesadelo. "Antes de entrar na faculdade, eu trabalhei como modelo e havia feito fotos para uma loja de lingerie. Antes de começar as aulas do 1º ano, alguns alunos encontraram as fotos e divulgaram por celular. Quando cheguei na universidade, já estava com fama de garota de programa. Sempre fui muito estudiosa, tanto que passei entre os primeiros lugares no vestibular, mas tive de ficar aguentando esse tipo de comentário. Cheguei a ouvir propostas indecentes", lembra, bastante emocionada.
Graças ao apoio de amigos e de professores, Vanessa permaneceu na universidade. O ápice da tensão, no entanto, aconteceu há cerca de um mês, quando uma foto de uma jovem com parte do rosto encoberto e os seios à mostra começou a circular em diversos celulares. "Disseram que a foto era minha, mas não era. Embora eu tenha desmentido de várias formas, ninguém acreditou em mim e me crucificaram. Muitos amigos viraram a cara. Como a maioria dos estudantes é formada por homens, tive que aguentar risos e piadas indecentes. Fiquei um tempo sem aparecer nas aulas, perdi provas, e pensei seriamente em abandonar o curso que lutei tanto para entrar".
Novamente apoiada por amigos e professores, Vanessa está retomando a rotina. "É uma sensação horrível. Mesmo que fosse eu naquela foto, ninguém tem o direito de te julgar desta forma", desabafa. Para ela o apoio recebido pela coordenação da universidade foi fundamental. "Eles me ofereceram apoio psicológico, e um processo administrativo foi aberto para tentar encontrar os culpados". Na última semana, a Polícia Civil tomou depoimentos para tentar encontrar o autor do crime.
Uma outra jovem consultada pela reportagem da FOLHA, relata a "brincadeira" feita entre amigas, quando eram adolescentes. "Resolvemos tirar fotos sensuais. Foi uma coisa muito boba e engraçada a princípio. Em algumas dessas fotos eu aparecia com os seios à mostra. Vimos as fotos após serem tiradas e demos muita risada. O combinado era de que todas seriam deletadas. Cerca de um ano depois, minha irmã, uma criança, me liga chorando e perguntando por que eu havia feito aquilo? Foi aí que meu inferno começou. As fotos estavam circulando por toda a cidade", recorda.
Ela encontrou na mãe e nos avós o apoio que precisava não só para recuperar a autoestima, mas também na busca pelos culpados. "Registramos a ocorrência e, por conta própria conseguimos identificar o IP do e-mail que havia enviado essas imagens, mas dar um nome ao número nos custaria tempo, dinheiro e sorte. Segundo a pessoa que estava com essas imagens, elas se espalharam após levar o computador para o conserto. O caso, no entanto, não ficou provado e foi encerrado após dois anos", lamenta.
A superação, segundo ela, só veio com o tempo. "Passei a tentar entender porque aquilo tinha acontecido comigo, parei de me vitimizar, pois me sentindo assim só favorecia quem queria me prejudicar. Foquei nos meus estudos, deixei o passado para trás, pois meus amigos verdadeiros sempre estiveram ao meu lado". (R.P.)





