Os técnicos da Regional da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) registraram, no primeiro semestre, um aumento na qualidade e quantidade do rebanho de gado bovino do Norte Pioneiro. Para o veterinário e coordenador da Defesa Sanitária Animal do Norte do Estado, Onésimo Locatelli, a competitividade provocada pela abertura do mercado nacional despertou os pecuaristas para a necessidade de aprimoramento da qualidade do rebanho.
Locatelli explica que as técnicas de escolha do reprodutor sem critérios objetivos estão ultrapassadas. O veterinário alerta que o produtor de carne e leite se profissionalizou para competir com pecuaristas de países como Argentina e Uruguai. ''O processo começou há cerca de 10 anos com a globalização e agora é irreversível''. Segundo ele, os pecuaristas aumentaram os investimentos para obter reprodutores e matrizes com qualidade e, assim, aumentar a produtividade.
O pecuarista Paulo Arantes, de Santo Antônio da Platina, diz que os produtores se conscientizaram de que a aquisição de reprodutores e matrizes com qualidade melhorou o rebanho e acarreta mais ganhos aos pecuaristas. ''A época em que os principais touros eram escolhidos no meio do rebanho já passou'', alertou.
Conforme a presidente do Núcleo de Criadores de Gado Nelore do Norte do Paraná, Ligia Franco de Medeiros Buso, os produtores estão preocupados com a aquisição de reprodutores para melhoria do rebanho, mas alerta que as matrizes também começaram a ser valorizadas. Ligia acredita que a resposta financeira das fêmeas, muitas vezes, é superior a dos machos.
A pecuaristas lembra que este processo se acentuou nos últimos anos. Ela acrescenta que, além da competitividade, a necessidade de avaliar o aspecto econômico do tempo na propriedade estimulou a profissionalização. ''As novas circunstâncias econômicas obrigaram os pecuaristas a se aperfeiçoar rapidamente, sob pena de serem expulsos da atividade''.
Segundo o presidente do Núcleo do Simental do Vale do Paranapanema e presidente da Sociedade Rural Regional de Ibaiti, José Márcio Peixoto Filho, a tendência atinge todas as raças de gado. Ele explica que a estabilidade da economia obtida depois do plano Real impediu a especulação bancária dos pecuaristas e procovou a profissionalização da pecuária. ''Não temos os juros bancários, por isso precisamos investir na qualidade para obter rendimentos. Caso contrário inviabilizamos a propriedade'', explicou.
Os responsáveis pela comercialização do gado estimam que a aquisição de reprodutores e matrizes aumenta o lucro obtido pelos pecuaristas em até 30%. Os profissionais do setor afirmam que um bezerro sem a melhoria genética obtém um preço mais baixo do que os produzidos através de reprodutores e matrizes melhoradores.
O Norte Pioneiro abriga o 6º rebanho do Paraná em número de cabeças de gado bovino, com 600 mil animais e conta com 6,6 mil propriedades. Na última campanha de vacinação contra a febre aftosa no Paraná, a região obteve o melhor índice de vacinação estadual. De acordo com os técnicos da Seab, semestralmente o rebanho apresenta um aumento no número de animais, em relação aos registros anteriores.

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