Pecuária em números
O rebanho bovino do Paraná é de 9,2 milhões de cabeças. Poderia ser bem mais. Mas ocorre que a agricultura vem tomando espaço da pecuária em regiões importantes como Noroeste (Umuarama e Paranavaí), Centro-Sul (Guarapuava) ou Campos Gerais (Ponta Grossa e Castro).
O Norte Pioneiro foi a única região onde a pecuária cresceu. Temos hoje aproximadamente 580 mil bovinos em nossas pastagens. Ibaiti detém o maior rebanho regional: 77 mil cabeças. Em segundo lugar está Santo Antônio da Platina, com 58 mil animais e em terceiro está Ribeirão Claro, com 47 mil bovinos. Temos 177 mil vacas ou novilhas criadeiras. Este número nos dá vantagem sobre regiões tradicionais como Londrina, Maringá e Cornélio Procópio.
O Norte Pioneiro chegou a ter três frigoríficos. Éramos privilegiados neste aspecto. Juntas, as três unidades industriais Santo Antônio da Platina, Joaquim Távora e Jacarezinho geravam perto de mil empregos diretos e centenas de empregos indiretos, além de serem as maiores arrecadadoras de impostos aos municípios onde estavam instaladas.
O fechamento destas unidades trouxe sérios problemas sócio/econômicos a toda região, já tão carente em indústrias. Juntas, abatiam 600 cabeças/dia, em média. Considerando cinco dias por semana, quatro semanas por mês, o total de abates era de 12 mil cabeças. E onde está sendo abatido o gado produzido no Norte Pioneiro? Em outras regiões do Paraná ou no Estado de São Paulo.
Isto significa dizer que as nossas divisas estão indo embora, gerando empregos e riqueza a outras regiões. Mas, felizmente, este processo tende a se reverter já que a unidade de Joaquim Távora, embora sem atingir sua real capacidade de abate, voltou a operar e comenta-se que a de Santo Antônio da Platina terá o mesmo destino. Se de fato for criada a cooperativa de funcionários...
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Em maio começa a campanha de vacinação contra a febre aftosa. Todos sabemos da importância do fato. Principalmente após o reaparecimento da doença no Reino Unido e Argentina, países considerados livres de febre aftosa sem vacinação. Num País continental como o Brasil é difícil uma fiscalização mais rigorosa, por isso a conscientização é a nossa maior arma. Até porque, tendo os vizinhos que temos, Paraguai e Bolívia, que são desleixados quanto à sanidade não só animal, o perigo é constante.
Mas a campanha de vacinação em nosso Estado vai custar mais caro. É que foi criada uma taxa de R$ 0,25 por cabeça, a ser paga pelos produtores. Dizem que é uma espécie de seguro. Caso ocorra algum surto servirá para indenizar as propriedades afetadas. O recurso será repassado integralmente ao Fundepec e a arrecadação, em torno de R$ 6 milhões, será usada exclusivamente em indenizações. Tudo bem. Prevenir é o melhor remédio. Mas por quê só o produtor tem que pagar? O governo estadual entra com o quê? Afinal, se o Paraná
ganhar o status de Estado livre de febre aftosa sem vacinação, vai exportar. Consequentemente dinheiro novo vai estar entrando nos cofres do Paraná. Sendo assim porque o Palácio do Iguaçu não banca ou, no mínimo, racha esta conta.
- Arão Dias Neto é empresário do ramo agropecuário e leiloeiro rural no Norte Pioneiro





