São Paulo - Há 30 anos, no dia 24 de julho de 1972, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) terminava o primeiro computador projetado totalmente dentro da universidade. Apelidado de Patinho Feio, não era muita coisa. Pequeno, tinha só 8 bits. Hoje os computadores pessoais têm 64 ou 128 bits. Possuía menos capacidade do que uma maquininha de calcular atual. Mas levou à assinatura de um contrato com a Marinha, que era o objeto de desejo do pessoal de computação da época. ''Foi um ponto a favor num quadro de outros pontos a favor'', diz Antonio Helio Guerra Vieira, participante do projeto e hoje presidente do Instituto de Engenharia.
O grupo da Poli preparou o Patinho Feio por três anos. O contrato com a Marinha, chamado de G-10 em homenagem ao comandante Guaranis, ex-aluno da Poli, era a grande meta do programa. O governo queria um computador feito em solo nacional que pudesse substituir os que equipavam fragatas compradas da Inglaterra. O contrato era grande, de alguns milhões de dólares e em alguns momentos chegou a envolver cerca de 60 engenheiros de diversas áreas, afirma Vieira. Patinho Feio ganhou esse nome porque o hino da Marinha faz alusão a um cisne branco.
O desenvolvimento do computador serviu também como exercício e treinamento dos alunos da Poli. Já nas mãos do governo, foi usado como base para uma nova empresa fabricante de equipamentos, chamada Computadores Brasileiros (Cobra), com sede no Rio.
O projeto atraiu muita atenção na época, para surpresa dos engenheiros, que fizeram um texto de 14 páginas, incluindo diagramas, para explicar do que se tratava. ''Era tanta novidade, quisemos desmistificar um pouco o computador'', diz Vieira. O Patinho Feio é tido como o primeiro computador, documentado e com estrutura de computação clássica, desenvolvido no Brasil.

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