O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) divulgaram na semana passada um relatório de trabalho que identificou obras públicas paralisadas em todo o Estado, cujo valor soma cerca de R$ 63 milhões. No Norte Pioneiro as obras paralisadas ou que não tiveram início estão localizadas nos municípios de Figueira, Guapirama, Ibaiti e Japira e são avaliadas em R$ 481 mil.
O relatório aponta que a obra de um ginásio de esportes do município de Ibaiti está paralisada desde 2002. Avaliada em R$ 149.781,00, a construção começou em agosto de 2002, mas só teve parte das paredes erguidas. A demora é tamanha que até uma árvore se desenvolveu no meio do que viria a ser a quadra do ginásio.
O tapeceiro Milton da Rocha Moutinho mora em frente ao colégio e reportou que o local tem sido utilizado por jovens usuários de drogas. Moutinho afirmou que a estrutura metálica para a cobertura do ginásio chegou a ser entregue no local, mas foi removida para uma outra obra da prefeitura. ''Em vez de deixarem essa obra parada poderiam ter construído casas para a população pobre'', sugeriu.
Segundo o relatório do CREA, funcionários da prefeitura teriam alegado que o motivo da paralisação foi decorrente de problemas de gestão de recursos financeiros pelo município. O engenheiro da Secretaria de Obras, Carlos Alberto Maia Tabalipa, afirmou que o ginásio era uma obra da gestão anterior e confirmou que a estrutura metálica que estava no local foi reaproveitada em outro ginásio, no Conjunto Oscar Negrão. ''Essa estrutura estava se deteriorando, então para construir o outro ginásio houve uma redução do custo de financiamento graças a essa reutilização'', afirmou.
Em Japira, uma ciclovia na Avenida Paraná, avaliada em R$ 82.632,59, cujas obras deveriam ter iniciado em junho de 2002, permanece inexistente. O motorista Anísio Aragão dos Santos afirmou que a ciclovia deveria ter sido construída em frente a sua casa e criticou o fato de até agora a obra não ter saído do papel. ''Eu utilizaria essa ciclovia, principalmente para manter a saúde, mas até agora ninguém da prefeitura fez nada para tirá-la do papel'', reclamou.
O ciclista Misael Aragão também criticou o fato da obra não ter sido executada. ''É uma obra que é necessária, pois a via é muito movimentada e ciclistas como eu correm o risco de serem atropelados'', apontou.
O prefeito João Renato Custódio confirmou que a obra deveria ter sido executada na gestão do prefeito anterior, mas como isso não ocorreu foi parar na dívida ativa do município com o governo estadual. Hoje, Custódio afirmou que não teria condições de executar a obra porque o município está em uma situação complicada, com possibilidade de fechar o ano com uma dívida grande.
O prefeito na época em que a ciclovia deveria ter sido executada era Wilson Ronaldo Rony de Oliveira que foi procurado pela reportagem, mas disse que ''não poderia falar ao telefone porque estava dirigindo. A reportagem voltou a ligar para ele mais tarde, mas o telefone estava desligado. Rony de Oliveira foi eleito novamente prefeito de Japira nas últimas eleições do dia 7 de outubro.

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