De todos os 46 municípios do Norte Pioneiro, Jataizinho foi o que apresentou o maior quantidade de homicídios em 2011. Foram 12 no total, número considerado alto para uma cidade que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem 11.875 habitantes.
Os índices da criminalidade assustam os moradores que se veem cada vez mais reféns da violência. O comerciante José Roberto Tomazin questiona a falta de autonomia da cidade que tem de se reportar à delegacia de Uraí. ''Tudo o que acontece aqui tem de passar por lá. Temos um efetivo policial reduzido por causa dessa falta de autonomia e os criminosos se aproveitam disso.'' Segundo ele, em média, são vistos apenas dois policiais nas ruas da cidade.
Para ele, a saída seria criar em Jataizinho uma delegacia independente com um quadro policial bem definido e até mesmo a instalação de um batalhão da Polícia Militar. ''Estamos próximos a Londrina e outros centros com um policiamento melhor. A falta de policiais transformou a cidade em um refúgio para criminosos'', alega.
O delegado Fábio Augusto Junqueira Enout, que tem respondido por Uraí, afirma que em apenas um mês é impossível traçar um perfil que determine os motivos da crescente violência em Jataizinho. Ele assumiu a delegacia durante a primeira fase da Operação Verão, em 15 de dezembro e deve ficar por lá até o término da operação em 15 de janeiro. Ele esclarece que o número de policiais que são deslocados diariamente de Uraí para Jataizinho fica à critério daquela delegacia e, por razões de segurança, esse dado não pode ser divulgado.
Ele admite, no entanto, que a proximidade com Londrina, permite aos criminosos esconderem-se na cidade e até mesmo comercializarem drogas com facilidade, o que motivaria o aumento no número de homicídios. A saída, opina o delegado, seria transformar Jataizinho em uma comarca. ''Se Jataizinho pudesse responder por si só e ter um quadro de policiais maior talvez os problemas fossem amenizados, mas é difícil definir se só isso resolveria.''
Se para muitos moradores Jataizinho enfrenta problemas, há quem ainda veja a cidade como um lugar calmo. Exemplo disso é a pedagoga Maria Cecília de Farias que atualmente reside em Rondônia. ''Nasci aqui e embora me digam que está havendo violência eu não percebo isso, principalmente quando comparo com o lugar onde moro. Para mim aqui ainda é um lugar tranquilo'', garante.

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