Santo Antônio da Platina - A determinação de Paulo Alves da Silva é tanta que ele luta por seus direitos praticamente todos os dias. Ele admite, em um momento de descontração, que está se tornando um especialista em criar processos. Até mesmo um juiz teria pedido para ele não criar novos processos até que fossem julgados os já existentes.
Paulo é autor de uma série de processos no fórum de Santo Antônio da Platina, inclusive contra uma juíza e dois promotores que, segundo ele, não teriam dado a devida atenção ao caso. A partir deste momento, se criou uma indisposição com todo Poder Judiciário local.
Com o impasse, Paulo decidiu procurar seus direitos no Ministério Público do Estado, em Curitiba, e conseguiu chamar a atenção do procurador-geral Gilberto Giacoia. A partir daí, as coisas mudaram de rumo.
Em setembro do ano passado, o procurador nomeou a promotora Kele Cristiani Bahena para cuidar do caso em regime especial, já que o assunto foge de sua alçada. Ela é da Promotoria de Patrimônio Público, que atende todas as demandas de prefeituras e câmaras legislativas de 22 comarcas, num total de 46 municípios da região.
A reportagem da FOLHA tentou falar com a promotora inúmeras vezes, mas sempre a resposta da assessoria foi que ela estava muito ocupada, sem espaço na agenda. Mesmo assim, se apurou que a maior parte das demandas sobre o caso já foi resolvida.
Hoje, o pai da menina quer entrar com uma ação por danos morais contra a Prefeitura de Santo Antônio da Platina, mas nenhum advogado da cidade se interessa pelo caso. ''Todos reconhecem que eu tenho direitos, mas eu preciso arrumar um advogado para entrar com a ação e aqui em Santo Antônio nenhum deles quer se indispor com a Justiça'', afirma. (E.A.)

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