Santo Antônio da Platina - Os 23 municípios que compõem a regional da Emater de Santo Antônio da Platina possuem cerca de 17 mil cabeças de ovinos. Ao todo, 384 produtores investem na atividade atualmente, mas estes números devem aumentar dentro de alguns anos. Produtores e técnicos estão organizando a estruturação do negócio, que hoje é feito de maneira informal, sem padrões e nem frigorífico para abater os borregos. Conforme César Amin Pasqualin, médico veterinário e funcionário da Emater cedido à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), o Norte Pioneiro tem um potencial muito grande para a ovinocultura e para a caprinocultura, especialmente por conta do microclima favorável.
Atualmente as regiões de Ponta Grossa e Guarapuava possuem os maiores rebanhos do Estado, seguidas pela região de Curitiba, que tem muitos produtores individualizados, e Cascavel. Pasqualin afirma que os criadores das regiões de Maringá, Londrina e Umuarama começam a despertar para a atividade. Segundo ele, o que falta para que o Norte Pioneiro se destaque na área é a organização dos produtores, a melhoria genética dos plantéis e assistência técnica no manejo e compra de animais. "O potencial da região é muito grande, mas é preciso organizar a cadeia. Os produtores – especialmente os pequenos – só conseguem ter sucesso quando se unem aos demais, eles precisam ser parceiros e não adianta um produtor querer monopolizar o mercado porque nesta atividade as coisas não funcionam assim", declara. Pasqualin acrescenta que a criação de uma cooperativa é o único caminho para que os produtores do Norte Pioneiro tenham sucesso na ovinocultura.
É justamente este pensamento que se destaca atualmente entre cerca de 40 produtores de ovinos na região. De acordo com a criadora Angenis Constantino de Souza Machado, uma das organizadoras dos eventos realizados na Casa do Ovinocultor durante a 43ª Exposição Feira Agropecuária e Industrial do Norte Pioneiro (Efapi), criadores participaram das palestras e puderam negociar a compra e venda de animais. Angenis disse que os objetivos foram alcançados e que agora os trabalhos estão voltados para a criação da cooperativa dos ovinocultores no Norte Pioneiro. "Os eventos promovidos na Casa do Ovinocultor durante a exposição foram bem sucedidos. Tivemos a oportunidade de conhecer criadores de cidades vizinhas, que demonstraram interesse na criação da cooperativa. A exemplo do gado, todas as partes do carneiro são aproveitadas. Com a criação de uma cooperativa teremos condições de centralizarmos as comercializações", complementa a criadora.

PASSO A PASSO
O chefe do Núcleo da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab) em Jacarezinho, Fernando Emmanuel Gonçalves Vieira, explica que a maior parte dos criadores atua de maneira informal, não possui regularidade na produção e não segue um padrão de qualidade. "O que precisamos fazer é organizar as cadeias de produção e mercadológica. Existe demanda para compra, tudo o que for produzido tem mercado, mas é preciso que seja organizado", ressalta.
Conforme ele, o primeiro passo para alcançar esta organização é a capacitação de técnicos da Emater, que será feita em parceria com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), e o segundo é promover o associativismo entre produtores para futuramente formar uma cooperativa. "Nossa tarefa agora é montar o projeto e amarrar todos os elos da cadeia. Não se monta uma cooperativa da noite para o dia, é preciso uma organização prévia", salienta.
Para Vieira, dar condições para o abate adequado é item fundamental antes de incentivar a produção de ovinos na região. "Hoje os abates são feitos de maneira informal, o que é ilegal. Construir um frigorífico dentro das normas de inspeção federal é um investimento muito grande. Como já temos um frigorífico regularizado em Santo Antônio da Platina, que abate bovinos, vamos verificar a viabilidade dele abater também ovinos", adianta.
A organização dos produtores deve incluir ainda a padronização da carcaça, trabalhos com genética para melhorar a qualidade dos plantéis e adequação do manejo para que se produza carne o ano todo. "Os frigoríficos têm clientes o ano inteiro, estamos estimulando a adequação dos produtores para então desenvolver a ovinocultura no Norte Pioneiro", complementa. Quilo da carne nos açougues chegou a ser comercializado a R$ 32 no fim do ano. (Colaborou Luiz Guilherme Bannwart)

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