A Associação dos Catadores de Cornélio Procópio reinvindica da Prefeitura um repasse de R$ 30 mil mensais de subsídio para continuar o trabalho na usina de reciclagem do município. A presidente da associação Ester Batista da Silva ameaça parar o trabalho caso não haja um acordo. Ela alega que não dá para sobreviver apenas com a renda da venda do material coletado. No mês de novembro de 2011 a arrecadação com a venda dos materias foi de R$ 6.280 e o valor foi dividido entre os 28 trabalhadores. ''No total, cada reciclador recebeu R$ 224'', afirma.
Em dezembro, a arrecadação foi um pouco melhor, totalizando R$ 9.389,07 que, dividido entre as 25 pessoas que trabalharam, resultou em um ganho médio de R$ 375. ''Para quem não teve nenhuma falta. Tem gente que faltou e recebeu R$ 320'', explica. ''A diária que dá para tirar com a venda dos materiais é muito baixa. Estamos brigando para ver se há um repasse para ajudar no salário das pessoas que trabalham aqui'', explica. A diária paga, segundo ela, chega ao valor máximo de R$ 25 ao dia. Os associados entram no trabalho às 8 horas e deixam às 17 horas.
''O trabalho é duro, mas já estamos acostumadas'', resigna-se. ''Sou mãe de 12 filhos, todos sustentados com o ganha-pão do lixo, e há 17 anos mexo com a reciclagem. Com a separação do lixo na usina de reciclagem faz só um mês. A prefeitura me convidou para assumir o serviço aqui, mas do jeito que está não dá. Ou repassam o dinheiro para ajudar o pessoal ou eu paro definitivo e volto coletar nas casas apenas o material reciclado'', afirma.
Ester explica que os recicláveis chegam até a usina - distante 16 quilômetros do centro da cidade -, ainda úmidos. ''Vem tudo misturado com resto de comida e outros detritos. Isso dificulta muito o trabalho.'' Ela acrescenta que se a prefeitura investir com o subsídio o pessoal vai trabalhar com mais vontade e disposição. ''Enfrentar um mês inteiro num trabalho desse para ganhar o que estamos ganhando não dá'', reclama. ''Da forma que está, o problema do lixo não fica resolvido. Tirar o lixo de um lugar e trazer para outro sem condições de trabalho é complicado, por isso estou reinvindicando da prefeitura esse repasse'', argumenta.
Segundo o secretário municipal da Administração, João Carlos Bruno, o Executivo está estudando a viabilidade para o repasse do subsídio. ''Não podemos simplesmente prometer a verba sem antes saber o que determina a lei. Fornecemos máscaras, luvas, o transporte e todos os materiais necessários para o serviço'', diz.
Bruno acrescenta que até o final deste mês deve ser concluído o levantamento sobre as necessidade da usina de reciclagem e o que pode ser feito para melhorar as condições de trabalho no local. ''Além dos repasses já realizado, os trabalhadores receberam uma ajuda de custo de R$ 150 para complementar o salário das 28 pessoas que integram a associação'', informa.

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