Os primeiros passos da produção integrada de morangos
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terça-feira, 06 de setembro de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Desde 1992 Marcelo Siqueira Silva, produz morangos em Pinhalão, no Norte Pioneiro. Mesmo ano que a fruta começou a ser cultivada na região, de acordo com o engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Edson Ronque. Atualmente a região é vice-líder no Paraná na produção de morango, atrás apenas de São José dos Pinhais e seus entornos. Segundo Ronque, há cerca de 250 produtores de morango na região, com destaque para Jaboti, Pinhalão, Japira, Conselheiro Mairinck e Santana do Itararé.
Prestes a completar 20 anos, o cultivo de morango no Norte Pioneiro está iniciando uma fase de drástica evolução. De acordo com Ronque, a Produção Integrada do Morango (Pimo), que é um sistema moderno baseado em práticas agropecuárias de excelência, deve ser adotado por produtores até 2013. ''No momento já há fruticultores que estão aplicando algumas normas do Pimo para experimentar, então acredito que até 2013 os produtores podem adotar integralmente o sistema'', afirmou o agrônomo.
O Pimo é formado por um conjunto de normas rígidas, com parâmetros internacionais, que estipulam monitoramento em todas as etapas da produção. Leva em conta também a segurança do trabalhador, qualidade de vida do produtor e comunidade, além da conservação do meio ambiente. É bom lembrar, que denúncias de uso excessivo de defensivos agrícolas em lavouras de morango são recorrentes em vários cantos do país.
As Normas Técnicas Específicas para Produção Integrada de Morango no Brasil foram criadas em 2008. A adesão ao Pimo é voluntária, porém o produtor que opta pelo sistema deve cumprir rigorosamente as orientações estabelecidas, para receber o selo de qualidade. Inclusive manter ''cadernos de campo e de pós-colheita para o registro manual ou eletrônico de dados sobre o manejo da fruta desde a fase de campo até a expedição; preservar por período mínimo de 2 anos o registro de dados atualizado para fins de rastreabilidade'', conforme a Norma Técnica.
O produtor Marcelo Siqueira Silva provavelmente será um dos primeiros a aderir ao Pimo no Norte Pioneiro. ''Tenho grande interesse, aos poucos estou buscando cumprir as exigências. Já tenho caminhão refrigerado, câmara de refrigeração também. Mas a lista é grande e não está relacionada apenas aos produtos, mas também aos trabalhadores, entre outros pontos''.
De acordo com o agrônomo da Emater, outro empecilho que impede a implantação do sistema na região é a falta de profissionais. ''São necessários pelo menos dois agrônomos credenciados, que fizeram curso do Pimo, para implantar a produção integrada. Um que ofereça assistência técnica ao produtor, visitando a lavoura uma vez por mês pelo menos, e outro auditor que fiscalize. E hoje só eu tenho o curso na região'', comenta Ronque.
O agrônomo estima que no Norte Pioneiro há aproximadamente dez fruticultores, que assim como Silva, pretendem adotar o Pimo, e ''já estão experimentando algumas normas. Como o produtor adere voluntariamente à produção integrada, acredito que à medida que ela se popularize e o mercado comece a cobrar, o número de produtores que vão escolher o Pimo vai aumentar''.
No Brasil, o sistema começou com a Produção Integrada de Frutas, em 2001, coordenado pelo Ministério da Agricultura, com parcerias públicas e privadas.


