opinião - Lição extraída do prejuízo
O momento é de angústia para os produtores rurais que apostaram no trigo e no milho safrinha. A estiagem de cerca de 60 dias já contabiliza prejuízos, face à previsão de comprometimento de metade da produção do Norte Pioneiro, conforme reportagem na página 4 deste caderno.
Infelizmente, esta perda está relacionada a um fator que foge do controle do homem, que é a natureza. Ocorreu a estiagem num período em que as lavouras precisavam de água. E se a chuva não veio, as lavouras não puderam responder às expectativas dos produtores, que no solo espalharam não somente sementes, mas o adubo composto pela esperança de uma boa safra, seus conhecimentos técnicos e muita vontade.
Poderia ser dito que a natureza, por sua vez, responde ao ser humano da mesma forma como ela é tratada. Se o homem a machuca, ela, não por vingança, mas em consequência de suas feridas, se descontrola.
É claro que há um pouco de verdade nisso. No entanto, neste momento o importante é analisar a situação para ver o que é possível ser feito visando reduzir o impacto das perdas. O Proagro, uma espécie de seguro para as lavouras, não dá cobertura em caso de seca.
Então já se admite que os agricultores terão que contabilizar os prejuízos e puxarão uma enorme cadeia de pessoas que sofrerão consequências negativas. A começar pelo trabalhador rural, sem desconsiderar a população urbana, uma vez que a maioria dos municípios da região tem sua economia baseada na agricultura.
É hora, portanto, de aproveitar as eleições deste ano para, a partir de políticos com projetos consistentes, planejar medidas que tornem o ônus desses prejuízos mais leves. Alternativas econômicas para localidades que dependem quase que exclusivamente do campo só podem ser viabilizadas com decisões políticas firmes. O Norte Pioneiro deste Estado já sofreu muito com a falta de investimentos nestes últimos anos, consequência de um plano de governo feito para segurar a inflação parando o País. A escolha de um sucessor para o Palácio do Planalto deve, desta forma, ser uma preocupação séria para os eleitores. O Brasil precisa crescer.





