Ribeirão Claro - É com grande expectativa que eles acompanham os sites de meteorologia durante a semana. O foco maior não é a chuva, mas as condições do vento. Em qual direção, em qual velocidade estará, vento frio ou quente? Tudo para saber se "vai dar voo". Quando a natureza permite, pululam as mensagens no celular e redes sociais, para marcar o próximo encontro dos praticantes de parapente.
O ponto preferido dos adeptos desse esporte radical na região fica em Ribeirão Claro. Privilegiada com uma paisagem de tirar o fôlego, com montanhas e a bela represa Chavantes, a pequena cidade é invadida, quase todos os fins de semana, por amantes do parapente.
"Sem dúvida é um dos lugares mais lindos para voar no Brasil", afirma Edilson Marques dos Reis, 45 anos. Iniciado no esporte há quatro anos, ele conta que já andou o Brasil todo atrás de "rampas". "São poucos os lugares que têm esse visual de Ribeirão Claro", ressalta. Ele integra um grupo de aproximadamente 20 pessoas, grande parte vindos de cidades do Norte do Paraná, que se reúne na rampa do Padilha, com 800 metros de altura, localizada em uma propriedade particular de Ribeirão Claro, mas aberta aos praticantes do esporte.
O parapente é um esporte da modalidade do voo livre. O equipamento não possui motores: a única impulsão é a força do vento, que deve estar entre 14 e 18 km/h. "Se estiver menos não dá voo, e quando está acima, pode causar acidentes", conta o vendedor autônomo de Jacarezinho, Paulo César da Silva, de 47 anos, praticante há nove anos.
A rampa de Ribeirão Claro é avaliada como nível 1, ideal para que iniciantes adquiram experiência. O voo praticado é chamado de "lift". Nele, os esportistas "pegam carona" no vento que "esbarra" no morro e segue para cima.
Assim como no paraquedas, o equipamento é formado por uma estrutura flexível (velas), feita de nylon com resina, bastante resistente, e linhas que mantêm o piloto suspenso no ar. A grande diferença está na possibilidade de levantar voo a partir do solo e pousar, aproveitando apenas a força do vento. Os praticantes podem ficar horas plainando, chegando a mil metros de altitude. Eles fazem manobras no ar para manipular a direção e altitude, e conseguem se deslocar por até 30 quilômetros, sentados em uma espécie de cadeira, que vai embutida na mochila do parapente (selete).
"É como se estivéssemos surfando no vento, uma sensação de liberdade indescritível", diz o professor Noel Carvalho dos Santos Júnior, de Cornélio Procópio, que pratica a modalidade há quatro meses. "Sempre fui apaixonado por voar. Fui pesquisando, até que encontrei quem praticava na região e onde poderia fazer cursos. Desde que comecei não sei o que é passar um fim de semana em casa", brinca.

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