Odontologia gera debate entre acadêmicos e entidades de classe
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quarta-feira, 04 de junho de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Jacarezinho A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um dentista para cada 1,5 mil habitantes. No Norte Pioneiro, a proporção é de um dentista para cada 1.027 mil habitantes, segundo dados do Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR). São 548 profissionais nos 46 municípios que somam uma população de 562.879 mil moradores, ou 46% a mais que os 375 recomendados. Se a população pode se considerar bem servida, os profissionais enfrentam um mercado disputado.
Quem vai absorver a demanda de 40 dentistas por ano formados pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) em Jacarezinho a partir de 2020? O curso acabou de ser anunciado e já gera debates. De um lado, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), e comunidade acadêmica do Norte Pioneiro defendem que o curso será mais um instrumento para o desenvolvimento social e econômico na região. De outro, tanto o Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), quanto a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) são contra abertura de novas vagas do curso nas academias.
Odontologia era o sonho de consumo da comunidade universitária de Jacarezinho desde a década de 1970. Em 40 anos, no entanto, muita coisa mudou. O grande número de profissionais e o mercado pouco atrativo nas cidades do interior são desafios a serem encarados, apontam especialistas. De acordo com o site do Conselho Federal de Odontologia (CFO), o Brasil é o país com o maior número de dentistas. São 250 profissionais na ativa, 11% do total mundial. Apesar dos números, 24 milhões de brasileiros nunca pisaram em um consultório odontológico. Apenas 15% cuidam da saúde bucal regularmente. No Paraná, são 16,7 mil dentistas para 10,9 milhões de habitantes, o que corresponde a 2,29 profissionais cadastrados para cada 1,5 mil habitantes.
A desproporção também é um fator determinante. No Maranhão, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do País, há uma média de três mil pessoas por dentista. Já São Paulo tem apenas 600 pessoas por dentista, menos da metade da relação ideal preconizada pela OMS. A exemplo dos médicos, atrair mão de obra qualificada para longe dos grandes centros não é tarefa fácil.
Até mesmo dentro da mesorregião do Norte Pioneiro, a discrepância chama a atenção. As cinco cidades mais populosas concentram mais da metade dos profissionais (51%). Cornélio Procópio tem 102 cirurgiões-dentistas cadastrados no CRO-PR. Santo Antônio da Platina aparece na sequência com 64. A lista segue com Jacarezinho (45); Bandeirantes (41) e Ibaiti (28). Por outro lado, metade dos 46 municípios possui menos de cinco cirurgiões-dentistas. Barra do Jacaré, Nova América da Colina e Rancho Alegre não têm nenhum dentista residente. O atendimento é feito por profissionais de cidades vizinhas.



