A correnteza provocada pela chuva da semana passada arrastou a ponte da linha férrea da empresa América Latina Logística (ALL), no Rio das Cinzas, que se localiza na divisa dos municípios de Andirá e Bandeirantes, no Norte Pioneiro. A ponte, construída no começo do século passado e com cerca de 200 metros de extensão, foi levada pela força da água na noite de quinta-feira. Segundo medições de uma companhia hidrelétrica do estado de São Paulo, que acompanha os níveis dos rios da bacia do Rio Paranapanema, a água passou de 8 metros.
A estrada de ferro é usada principalmente para o transporte da produção de grãos, de combustíveis e outras mercadorias.
Na manhã do último sábado, o nível da água já havia baixado e foi possível ter uma dimensão dos danos. Os pilares que sustentam a ponte permaneceram em pé, mas não sobrou nada da estrutura, que foi arrastada por quase 100 metros. Ainda no final de semana, funcionários da ALL trabalhavam na remoção dos escombros e de árvores inteiras deixados pela correnteza. A previsão da empresa é que o trabalho seja concluído em 40 dias.
Em contrapartida, a assessoria de imprensa da ALL informa que não haverá problemas de abastecimento de combustíveis no Norte Pioneiro porque a empresa tem outras alternativas para fazer o transporte.
Curiosos
A queda da ponte tem chamado a atenção de dezenas de curiosos e se transformou em uma espécie de atração na região. As pessoas querem ver de perto o que aconteceu.
O trabalhador rural Gerson dos Santos, que trabalha em uma propriedade próxima ao rio, acompanhou tudo desde a noite de quarta feira, quando a água começou a subir, mas não imaginou que a força da correnteza seria suficiente para levar uma ponte daquele porte. ''A família do meu patrão mora há 70 anos aqui e disse que nunca viu nada igual'', afirma.
O motorista Durvalino Mendonça, de uma empresa terceirizada, transporta os trabalhadores da ALL que fazem a manutenção daquele trecho da rodovia. Ele ficou surpreso com a força da água. ''Eu nunca imaginava na minha vida acontecer um negócio desses porque essa estrutura é muito forte; se alguém falar a gente não acredita, tem que ver para acreditar'', afirma.
Medição
O nível das águas do Rio das Cinzas é medido duas vezes por dia pela família Dalava que mora às suas margens, no município de Andirá. Eles fazem este trabalho há 40 anos para a Duke, uma companhia hidrelétrica do estado de São Paulo, que acompanha o nível das águas em toda a bacia do Rio Paranapanema.
A agricultora Guilhermina Dalava diz que a água passou dos 8 metros medidos pela régua. ''A água subiu tanto que ficou sem condições da gente ver'', afirma. A marca mais elevada anteriormente foi registrada em 2010, quando o nível atingiu 7 metros e 56 centímetros.

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