O 'homem da luz' e das letras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Luiz Guilherme Bannwart<br>Especial para a FOLHA 

O País se comoveu com a história do menino Alessandro Júnior de Santo Antônio da Platina, que pediu R$1 ao eletricista da Copel que foi cortar a luz da sua casa por falta de pagamento. Sem moedas no bolso, João Candido da Silva Neto, ou João Neto da Copel como é conhecido, deu-lhe a única nota de R$ 5 reais que tinha na carteira, porém, pediu ao menino que repartisse o dinheiro com seus dois irmãos. No fim da tarde, quando retornou para religar a energia elétrica da residência, a surpresa: o menino o aguardava com o troco de R$ 2 num extraordinário exemplo de honestidade e hombridade.
A situação de fragilidade da família abalou o emocional do técnico eletricista (de fazer chorar, revela) . No intuito de que meia dúzia de seus amigos da rede social acenasse com algum tipo de ajuda para a família (cesta básica, remédios, roupas e dinheiro), João Neto narrou o ocorrido no conto Ainda Bem que Você Veio. O que ele não esperava é que, o texto, em menos de doze horas, viralizasse em todo o País, sendo compartilhado por centenas de milhares de pessoas, celebridades do mundo artístico e político, inclusive.
Pessoas do País inteiro, inclusive do exterior, despejaram mensagens na caixa postal de João Neto oferecendo ajuda à família do Menino. Essa repercussão toda também o deixou muito assustado. "A minha conta no Facebook enlouqueceu. Dos 200 facefriends que eu tinha uns trinta efetivos com os quais troco mensagens regularmente, saltou para quase cinco mil. Só não aceitei mais pois estourou a minha cota", revela.
Além de técnico eletricista da Copel, João Neto, nascido na cidade paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, tem quatro filhos é casado com Flávia, funcionária da Sanepar, é ainda ambientalista, faz voluntariado tanto na Copel como fora companhia, além de integrar o Movimento Familiar Cristão da Igreja Católica e ser conselheiro municipal do Meio Ambiente. No ano passado, participou da elaboração do Plano Municipal de Arborização de Santo Antônio da Platina.
No campo das letras se coloca como cronista, contista, poeta e escritor. Fascinado pela literatura brasileira, diz carregar influências de Lourenço Diaféria, Manoel de Barros e Rubem Alves. É fã assumido de Luís Fernando Veríssimo e Belchior, tem verdadeiro encantamento por Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral.
O apelido Homem da Luz foi dado pelo artista paranaense Hélio Leites, conta o eletricista. "Sempre trocamos ideias, textos e experiências no facebook, sou fã do Hélio! Um sujeito autêntico, grande artista, escritor acima da média, filosofal e um baita ser humano. Ser rotulado por ele é uma honra! Na verdade ele fez um paralelo entre minha atividade profissional e meus textos com meus post's sociais, os quais classifica como iluminados", explica.
João Neto tem quase 200 contos, crônicas e poesias escritas. Só na Folha de Londrina (Folha 2) ele teve vários contos e crônicas publicados, o último foi o Fragmento de Uma Carta de Amor, onde a jornalista Patrícia Maria, em sua coluna Histórias Mínimas, incluiu João Neto no rol dos últimos românticos.
Ele conta que começou a escrever, efetivamente e regularmente, após ler o conto Olha o Bucheeeeeeeeiro, do engenheiro agrônomo londrinense Alcir Chiari, publicado na FOLHA no início dos anos 2000, pois se enxergou do conto do hoje amigo, Alcir. Com o conto Ainda Bem que Você Veio, que narra a história do troco de R$ 2 reais, ele tornou-se conhecido nacionalmente - o texto foi compartilhado mais de 130 mil vezes nas redes sociais. E, segundo estimativas, o texto já foi lido por mais de dois milhões de pessoas, além de ter sido gravado por diversos locutores pelo Brasil.
Em 2018, João Neto deverá trabalhar na publicação de seu livro, algo que vinha postergando por absoluta falta de tempo, dinheiro e editoras interessadas, "mas agora o jogo virou", revela.


