''O Paulo Nogueira Batista, presidente da Nuclebrás, me falou que ali estava o futuro do município, pela arrecadação de impostos, royalties, empregos'', recorda Jorge Ferreira de Mello, o Jorginho, prefeito à época e hoje com 80 anos de idade.
Em 20 de setembro de 1979, ele acompanhou Batista e o então governador, Ney Braga, que inauguraram o laboratório de análises e desceram 126 metros (de elevador) até o fundo da mina, situada num ponto da Serrinha, equidistante de Vida Nova e Figueira.
Mais de 800 empregos (aproximadamente 500 na usina e 300 na mina), infraestrutura de transportes e moradias, que completariam o investimento de US$ 200 milhões, previa a Nuclebrás. Referência de tudo: ''Projeto Figueira'', alusão ao distrito então no município de Curiúva, tradicional pela exploração carbonífera, desde 1943, e ponto de partida da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) até o anunciado complexo mínero-industrial da Nuclebrás.
Os interessados na criação do município de Figueira passaram a pleitear a área dos minérios. Jorge Ferreira de Mello recorda ter reagido: ''Eu disse que ninguém ia tirar Vida Nova de Sapopema enquanto eu fosse o prefeito e Ney Braga o governador. A Folha de Londrina publicou e quase derrubamos o Fontana''. O secretário da Indústria e Comércio do Estado, Fernando Fontana, influía nos bastidores a favor de Figueira e ao lado de Sapopoema estava o governador, conta Jorginho.
Com áreas desmembradas de Curiúva e Ibaiti, o município de Figueira tem 129 km2, 8.293 habitantes e renda per capita de R$ 6.191,00. Sapopema: 676,9 km2, 6.736 habitantes e renda por habitante de 7.611,00.
Há cerca de quatro anos, a Companhia Carbonífera Cambuí, operando em Figueira, cogitou a extração em Vida Nova, em reunião com moradores. A Cambuí tem direito a 50% da reserva no distrito (a outra metade pertence à Copel) e segundo a crença geral, a extração ocorre faz tempo, por um túnel que ultrapassa o limite de Figueira. (W.S.)

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