O futuro econômico do Norte Pioneiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de novembro de 2001
Carlos Vinícius Maluly 
A verdadeira competição já não gira em torno da participação de mercado e sim por atenção, por participação na mente e no coração das pessoas. A sociedade do excesso tem um excesso de empresas similares, que empregam pessoas similares, de formação similar, com idéias similares, que produzem coisas similares, por preços similares e de qualidade similar. Embora tudo possa estar melhor, também está cada vez mais igual.
Pode-se completar esse raciocínio com o comentário de Rolf Jensen, do Copenhagen Institute for Future Studies, onde diz que estamos no crepúsculo de uma sociedade baseada em dados. À medida que a informação e a inteligência tornam-se domínio dos computadores, a sociedade atribuirá cada vez maior valor àquela habilidade humana que não pode ser automatizada: as emoções, imaginação, mito, ritual, a linguagem da emoção. Isso irá afetar tudo, desde nossas decisões de compras até como trabalhamos com os outros. As empresas irão prosperar conforme suas histórias e mitos. Elas terão de compreender que seus produtos são menos importantes que suas histórias.
Os ajustes estruturais da economia globalizada e liberalizada estão requerendo a inserção de conhecimentos, atividades técnico-científicas e inovação na gestão ao longo da cadeia, com a visão sistêmica para enfrentar o desafio do aumento da produtividade e agregação de valor nos produtos industriais.
Nesse sentido, a Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi), através do Departamento de Agronegócios e Produção, está investindo em ações de indução nos diversos setores produtivos por meio da disseminação de idéias de projetos de sustentação e realização de reuniões técnicas, com a participação dos diversos atores que compõem uma cadeia produtiva na região. O Norte Pioneiro do Paraná ainda precisa lembrar que o agribusiness ainda é o maior negócio no Brasil.
Sabemos que o enfoque do agronegócio é essencial para retratar as profundas transformações verificadas na agricultura brasileira, nas últimas décadas, período no qual o setor primário deixou de ser um mero provedor de alimentos in-natura e consumidor de seus próprios produtos, para ser uma atividade, integrada aos setores industriais e de serviços.
Acreditamos que o que globaliza separa; é o local que permite a união. Embora estejamos assistindo a uma inversão no padrão de relacionamento entre fluxos e territórios. São esses fluxos que estabelecem quais territórios serão incluídos ou excluídos, quais deverão desempenhar os papéis dominantes ou subordinadas na nova ordem global. Não é gratuitamente que vemos nações, estados ou cidades cobiçando ou mendigando alguma participação digna na nova ordem dos fluxos.
Todo esforço de desenvolvimento local tem como perspectiva a inserção do lugar na nova ordem dos fluxos, de forma a construir sinergias para promover seus aspectos positivos (novos investimentos produtivos, assimilação tecnológica e geração de emprego e renda).
A capacitação nesta área dá-se através de muito estudo e dedicação com responsabilidade, pois das decisões tomadas dependerá o futuro econômico da organização.
Se para alguns isto pode parecer desprestígio para o setor industrial, a questão é entender que o crescimento da agricultura significa uma impulsão na economia. Imagino que mesmo no século 21, um país desenvolvido, por exemplo, ainda valorizará arroz, carne, soja... Ou será que com o desenvolvimento tecnológico, a questão da fome, está eliminada? Nas proporções continentais do Brasil, a agricultura precisa ocupar uma posição muito mais relevante no cenário econômico.
- CARLOS VINÍCIUS MALULY é diretor-geral da Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi) e diretor-presidente Centro Educacional Tecnológico de Ensino e Cultura (Cetec)
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