O diálogo é o melhor caminho, orienta psicóloga
Cornélio Procópio - A psicóloga Elisângela de Padua, de Cornélio Procópio, conta que tem recebido muitas vítimas desses crimes. Para ela, tal comportamento está relacionado a dois fatores: à cultura imagética, de conteúdo muitas vezes erotizado, pelo qual os jovens são bombardeados desde a infância; e ao próprio período da adolescência. "É um momento de descoberta da sexualidade, do próprio corpo, é natural que esses jovens, que cresceram usando a internet, utilizem os aparatos tecnológicos para se relacionarem. Vivemos em um período de culto ao corpo, logo, a troca de imagens muitas vezes faz parte do jogo da paquera, é natural para muitos jovens que as relações sejam atravessadas por essas imagens".
Os danos causados nas vítimas passam pela esfera social, com o isolamento e bullying, e/ou inibição na vida sexual, afetiva e amorosa, cita a psicóloga. "A pessoa passa a ser, muitas vezes, mal julgada. As fotos quase sempre são acompanhadas de histórias inexistentes. Isso pode levar a comportamentos retraídos, mudança de escola, cidade, ou em casos mais sérios até uma depressão profunda ou suicídio."
Elisângela orienta que para evitar tais situações os pais devem manter o diálogo aberto com os filhos, alertando sobre os perigos dessas práticas. "Os pais e amigos têm que entender que a pessoa está passando por um momento difícil e dar apoio, e não reforçar o rechaçamento social. O apoio dos entes queridos é fundamental". Dentro das escolas, segundo Elisângela, o ideal é manter debates e palestras com temas atuais, para evitar esse tipo de comportamento entre os jovens. "Sempre tendo a clareza que a descoberta da sexualidade é algo natural da adolescência. Eles devem ser orientados para tomar os devidos cuidados e evitar esse tipo de exposição". (R.P.)





