O desafio do descarte do lixo reciclável
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terça-feira, 18 de agosto de 2015
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Ibaiti - O manejo correto do descarte de resíduos hoje em dia é um desafio também para cidades de menor porte, ainda mais com as reformas da legislação ambiental que tornaram mais rigorosos os padrões de controle e fiscalização. Com aproximadamente 31 mil habitantes, Ibaiti desde o começo do ano retomou parceria com a Cooperativa de Coleta Seletiva Solidária de Ibaiti (Coppersoli), após experiência que não foi bem-sucedida com uma empresa privada de Londrina que ficou responsável pela coleta seletiva durante sete meses.
"Já tínhamos trabalhando em parceria com a cooperativa anteriormente, mas como tivemos alguns problemas de gestão, optamos pela empresa privada. Isso também acabou não dando certo e, após alguns ajustes burocráticos, inclusive com a eleição de uma nova presidente para cooperativa, estamos conseguindo dar um bom andamento ao trabalho", explica a diretora do Departamento do Meio Ambiente, Karla Kuka Martini Delfine. A retomada da parceria com a Coopersoli contou também com capacitação realizada pela Cooperativa de Catadores de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Londrina (Cooper Região), a antiga Coopersil, que considerou referência o modelo de gestão realizado em Ibaiti.
Localizada em um terreno de aproximadamente 48 mil metros quadrados, afastado da cidade, onde chegou a funcionar um antigo lixão (hoje aterrado), a central de triagem conta com 19 funcionários que são responsáveis pela separação do lixo reciclável que é coletado diariamente pelo caminhão da prefeitura. A área tem licença de operação do Instituto Ambiental do Paraná. Em média, são recebidos mensalmente 20 mil quilos desse material que é coletado em Ibaiti: praticamente a mesma quantidade também é recebida vinda de municípios que fazem parte do Consórcio Intermunicipal de Aterro Sanitário: Jaboti, Japira, Tomazina, Ibaiti e Pinhalão. O lixo comum (rejeitos) de Ibaiti e das outras cidades que fazem parte do consórcio (incluindo Siqueira Campos) são encaminhados para o aterro sanitário de Jaboti, que já está dentro dos padrões determinados por lei. Já o lixo hospitalar de Ibaiti é recolhido por uma empresa especializada de Siqueira Campos.
"O manejo do lixo demanda uma despesa mensal em torno de R$ 150 mil. É um desafio para todo gestor público tratar desse assunto, que tende a ficar mais complexo com o aumento gradativo da população e o consumo", observa o secretário de Obras, Viação e Serviços Urbanos, John Luis Lobo Fernandes. Nesse montante, estão inclusos o custo da manutenção da central de triagem e ainda um subsídio mensal de R$ 13 mil para complementar a remuneração dos cooperados, que são responsáveis pela venda do material reciclado para a indústria. A prefeitura ainda distribui em domicílio sacos específicos para o lixo reciclável.
Com equipamentos de segurança pessoal adequados (como coletes, bonés e luvas), balanças e prensas, sendo parte do material adquirido por meio do programa Ecocidadão, do Governo Estadual, a central também conta com refeitório e banheiros. "Estamos satisfeitos com o trabalho e está dando para tirar uma média mensal de R$ 1.123,00. Está dando para viver", afirma a presidente da Coopersoli, Juliana Aparecida Pereira. Com 27 anos e uma filha de 13 anos, ela estudou até o sexto ano e chegou a trabalhar durante dois anos como recicladora de rua.
Seu pai, Julio Cesar Pereira, 61 anos, durante 11 anos também trabalhou nas ruas coletando reciclável antes disso sua atividade era de boia-fria. Hoje, ele trabalha na cooperativa e também é responsável por desmanchar sofás velhos descartados pelos moradores para que cada componente como madeira, espuma e tecido tenha o destino correto. "É um trabalho mais artesanal que faço agora, mas estou gostando. No começo, parece que as pessoas se preocupavam mais com a reciclagem e o volume que a gente recebia desse material era três vezes maior", observa. Os produtos mais vendidos atualmente são papelão, alumínio e garrafas PET.
A diretora da central de reciclagem, Clemyres Martin de Macedo, confirma que ainda há um certo descuido da população e que é comum as pessoas misturarem ao lixo reciclável fraldas descartáveis e papel higiênico. "Esse tipo de material não é reciclável e falta ainda um incentivo maior na área de educação ambiental para que isso não aconteça", alerta.
Segundo a diretora do Meio Ambiente, o município recentemente conseguiu licença ambiental para a instalação de uma área para descarte de resíduos da construção civil. Por meio de um britador móvel, parte desse material será triturado e usado para pavimentação de estradas rurais e reboco. Em breve, a Ibaiti deverá integrar o projeto "Papa-Pilhas", desenvolvido pelo Sicoob em parceria com a Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), que prevê a coleta e destino correto de pilhas e baterias.


