O comércio não aguenta mais, diz prefeito
O novo prefeito de Jataizinho, Élio Duque (PDT), considera que a falta de segurança é um problema sério para o município e que não há muito o que ser feito. ''Só se matar'', disse em tom de desabafo durante entrevista à FOLHA. Segundo ele, talvez estejam esperando acontecer alguma tragédia para depois serem tomadas as providências.
Duque afirma que os assaltantes são menores, conhecidos da população e que há estabelecimentos que são assaltados até duas vezes no mesmo dia. ''O comércio não aguenta mais. Aqui virou terra de ninguém'', afirma. O prefeito disse ainda que, se fosse possível, faria a segurança da cidade ''por conta própria''.
Acompanhe a seguir a entrevista com o prefeito:
O município está tomando alguma providência em relação aos assaltos?
A gente está batalhando. Nós temos 10 câmeras de segurança que já estão em postes, mas não estão funcionando ainda. Já liguei em Curitiba, já estive em Curitiba, já falei com o nosso deputado, o Alexandre Cury. Já falei no batalhão. O efetivo aqui não tem como aumentar. A cidade é pequena. São dois policiais (por turno) para 12 mil habitantes. E a cidade é esparramada. Não tem como proteger todos. O delegado de Ibiporã ficou de mandar para Jataizinho um escrivão e dois agentes da Polícia Civil. Aqui tinha uma delegacia antiga, estou reformando, estou deixando adequada para ver se melhora um pouco e estou esperando essas câmeras para colocar em operação o mais rápido possível para inibir essas ações.
Há informação de que os assaltantes são pessoas conhecidas na cidade...
São pessoas conhecidas sim. São menores. Hoje mesmo (ontem) já assaltaram duas vezes. São os mesmos. Todo mundo sabe quem é. O que a gente pode fazer? Só se matar. Parece que se espera acontecer uma tragédia, matar um comerciante desse, matar um cliente em um posto. Agora estão assaltando tudo: é mercado, é loja, é papelaria, farmácia, lotérica. Ninguém tem mais sossego na cidade. São meia duzia de crianças e a gente fica de mãos atadas.
O senhor tem uma estimativa de quando as câmeras serão ligadas?
Elas já foram instaladas. A fiação está toda instalada. A gente já está vendo as pessoas para cuidarem dessas câmeras. Depois de instalar, ainda vai um tempo para treinar o pessoal.
A Polícia Civil, pelo que o senhor disse, está desativada?
Não existe. Não tem delegado, não tem nada. É só a militar mesmo. São seis policiais, ficam dois ou três (no turno). Tem um módulo só, mas não fica ninguém. Não tem como fazer uma ligação. Se você liga, cai na companhia de Assaí, que vai retornar para o policial. E às vezes a pessoa liga em Assaí e demora para ser atendida.
Já houve mudança da comarca e está para haver mudança da jurisdição da Polícia Militar. O senhor acha que essa mudança melhora?
Eu creio que sim. A gente está bem mais próximo de Londrina. Eu tenho pedido para o sargento (da PM) fazer umas batidas aqui, um arrastão, prender. A gente tem que fazer alguma coisa porque do jeito que está não tem condições. O comércio não aguenta mais. Tem lugar que é assaltado duas vezes por dia. Aqui virou terra de ninguém. Vai ter que ficar uma pessoa armada na porta do comércio e se acontece uma tragédia, morre alguém, um comerciante, um cliente, uma pessoa de bem, ainda sobra para a gente depois. Se pudesse fazer por conta própria (a segurança), a gente faria. A gente pegava umas 10 ou 15 pessoas para dar segurança, mas a gente não pode fazer isso.
E quem vai monitorar as câmeras? Será o pessoal da prefeitura ou da PM?
Vai ser um conjunto. Mas se ficar com a PM não vai resolver nada também porque eles não tem gente nem para ficar na rua, como vai monitorar? Eu quero treinar um pessoal da prefeitura. Estou vendo com a nossa assessoria jurídica o que a gente pode fazer. (E.A.)





